Leonan Oliveira


Amante de música pop desde o primeiro fone de ouvido e discípulo fiel de Katy Perry. Um jovem paulistano bastante bem-humorado que não perde a chance de surtar na grade dos shows pela cidade.

Entrevista: O Terno fala sobre processo criativo e de produção de novo álbum

Tim Bernardes, o líder do grupo, conversou – com exclusividade – com a equipe do showlivre.com e falou sobre todo o processo de produção e conceito do novo disco

Postado em 29/04/2019 por

Na última semana, a banda O Terno – um dos principais nomes do rock nacional – divulgou seu mais recente álbum de estúdio, intitulado ‘<atrás/além>’. Com arranjos mais refinados, os integrantes somam forças a uma orquestra para apresentar um disco que, acima de tudo, fala sobre a sensação de assumir-se como um indivíduo e lançar-se ao mundo. Nesse novo trabalho, O Terno ultrapassa fronteiras esperadas e conhecidas, seja de jazz, indie, MPB, música erudita ou rock.

O álbum está disponível em todas as plataformas digitais. Ouça:

Para saber mais sobre o lançamento, Leonan Oliveira conversou com Tim Bernardes – o líder do grupo – para mergulhar no processo criativo e aspectos intrínsecos do novo disco. Confira:

 

– Eu vi que vocês apostaram em arranjos mais refinados para este álbum. Como foi o processo de definição de identidade do disco?

Não foi uma coisa pensada a priori, sabe? Não teve um “vamos fazer um disco que tem essa cara”. Eu acho que a gente tinha um conceito muito forte na cabeça sim. Eu vim com essas doze canções e mostrei elas, então elas já tinham muito um clima. Então, a gente queria manter o clima íntimo delas, sabe? Elas terem a potência que se tem quando você tem uma canção violão e voz, mas também impulsionar isso com arranjos de banda e de orquestra.

Era uma coisa que já estava na cabeça: seria a gente tocando como banda, mas menos como uma banda de rock’n’roll e mais como uma banda livre de música, seja lá a canção que pedissem pra gente, e que a gente colocaria a banda como parte da formação total musical, que seria banda mais orquestração. Pensamos no som como uma coisa maior, a voz como ponto central e a banda como parte da orquestra.

– Então você define o disco como uma coisa muito mais natural do que planejada?

Sim. Foi mais natural mesmo. A gente tinha na cabeça algo já, mas teve muito a ver com coisas que a gente já vinha explorando e eu usei no meu disco solo (‘recomeçar’) também. Naturalmente a gente chegou nesse caminho.

– Com isso, o que torna este álbum diferente dos lançamentos anteriores dO Terno?

Eu acho que… Uma coisa que eu vejo diferente neste álbum é o fato dele ser um álbum com muita unidade entre as músicas. De estar falando sobre desdobramentos de assuntos muito semelhantes. É um retrato desse lançamento na vida, se emancipar como um indivíduo e se lançar pro mundo, essas questões de ficar adulto na nossa época, questões da nossa geração acerca do que é ser jovem hoje em tempos de redes sociais, falar sobre amor… Então, eu acho que ele tem uma unidade temática que ainda não tinha aparecido isso  na discografia do Terno.

No Recomeçar, meu disco solo, já existe isso de alguma forma, mas de uma maneira muito mais narrativa e romântica, de amor mesmo. Enquanto neste, é muito mais filosófica, sabe?

– Qual seria a mensagem principal do álbum?

Nossa, eu não sei porque ele tem tantos ângulos. Mas, de certa forma, é essa de se lançar/emancipar para o novo. Celebrar o passado e sonhar o futuro.

– O álbum já ganhou dois videoclipes, né? Como vocês escolheram os singles?

Então, a gente escolheu fazer o clipe de ‘Pegando Leve’ porque a gente via como uma música que tinha um pé no que O Terno venha a ser nesse novo disco. É uma música mais ‘banda’, um pouco mais descontraída, que tem a ver com coisas que a gente já fez, mas também essa profundidade e densidade que temos no disco. Só que a gente não queria que fosse o primeiro single porque a gente queria justamente primeiro mostrar a cara nova. E a cara nova seria com o primeiro single que é ‘Nada/Tudo’.

– Eu vi também que você assina a produção, mixagem e composição do álbum… Como foi pra você estar envolvido em todas as etapas do nascimento do disco?

Eu gosto muito de estúdio e eu enxergo, na verdade, o produto final como o negócio pronto, sabe? Então é compor a letra, melodia, mixagem, efeitos, como será o clipe e como isso vai se comunicar com uma coisa só, sabe?

Eu sempre tive nO Terno esse papel de ‘dirigir’ a coisa. Depois do ‘Recomeçar’, que eu assinei isso de fato, assumi que isso era uma função e que não era um problema eu estar numa banda e assumindo de fato a liderança. Isso foi muito bom. A gente trabalhou muito contentes durante todo o processo.

Então, foi um negócio legal mesmo.

 

Em 2014 O Terno foi atração do Estúdio Showlivre. Confira a versão ao vivo de um dos maiores sucessos da banda, “Ai, ai, como eu me iludo”:

Maciel Salú faz show de estreia para “Liberdade” no SESC 24 de Maio

Ao apresentar “Liberdade”, seu mais recente disco, mestre rabequeiro faz um mergulho profundo na cultura popular, sem deixar de lado uma musicalidade cada vez mais comtemporânea

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O Pernambucano Maciel Salú faz, pela primeira vez em São Paulo, show baseado em seu mais recente disco, Liberdade, no Sesc 24 de Maio. A apresentação marcada para sexta-feira, dia 03/05, acontecerá no Teatro da unidade, às 21h.

Composto por 10 músicas autorais, repertório destaca-se por “Maracatu Sem Lei”, com influências do rock ‘n roll, “Jurema”, em reverência a entidade indígena que impulsiona uma das maiores tradições religiosas do nordeste, e Liberdade”, faixa que dá título ao disco e segue por um caminho mais pop. Nas letras, um evidente discurso político e social reflete temas como preconceito, racismo, religiosidade, democracia e violência. Tudo isso é acompanhado pela rabeca do artista que traz uma sonoridade única ao ser experimentada com cordas e pedais de guitarra.

Ouça:

Herdeiro direto da família Salustiano, com passagem pelas bandas Orquestra Santa Massa, Chão & Chinelo e Orquestra Contemporânea de Olinda, Maciel Salú cresceu em meio a maracatus rurais, cavalos marinhos, cocos e cirandas. É mestre e brincante de diversos folguedos.

Ao longo dos seus 20 anos de carreira, lançou A Pisada é Assim (2003), Na Luz do Carbureto (2007), Mundo (2010) e Baile de Rabeca (2016).

“De Dentro do Ap”: Bia Ferreira aborda o cotidiano das mulheres pretas em novo clipe

Uma idealização independente de LABA-LABA comunicação e Coletivo Fuligem, com apoio de MANDALA FILMES, foi produzido por uma equipe feminina e apenas com mulheres pretas no elenco

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A cantora e compositora Bia Ferreira lança o vídeo de “De Dentro do AP”, faixa que faz parte do seu álbum de estréia “Um Chamado”, que será lançado em maio. Primeiro clipe de sua carreira, foi produzido de forma independente pela LABA-LABA comunicação e pelo Coletivo Fuligem, com apoio de MANDALA FILMES, com equipe feminina e com o elenco composto apenas por mulheres pretas.

O vídeo começa com uma poesia de Thata Alves e revela o cotidiano de cinco mulheres pretas traçando seus caminhos diários contra a estatística de genocídio e machismo da sociedade brasileira. Nas ruas, nos pontos de ônibus, nas empresas, praças e calçadas acontecem os encontros onde surge a sororidade. A crítica é uma associação ao discurso ideológico que não é aplicado na prática. Discurso que não condiz com a verdadeira realidade das mulheres pretas frente ao feminismo.

“A realização desse projeto foi uma força tarefa. Foi muito bonito ver equipe só de mulheres, majoritariamente mulheres negras, se mobilizando para que esse trabalho fosse realizado. No interior onde a tecnologia chega, mas a disseminação do que se faz não tem tanta repercussão e as oportunidades são menores, a união em prol de um ideal e da mensagem que essa música e a poesia da Thata Alves trazem é de extrema importância”, conta Bia. “Eu me senti cercada por mulheres que me queriam bem, cercada de profissionais hiper qualificadas e dedicadas a executar seu trabalho da melhor forma. Me senti acolhida, parecia que todas nós nos conhecíamos há muito tempo. O resultado ficou incrível, me senti feliz de encontrar pessoas que acreditam nas mesmas coisas que eu e que se doaram tanto para que esse trabalho ficasse tão bonito.”

“Participar do projeto do clipe foi surpreendente, desde a idealização, roteiro e o processo de direção apenas com mulheres presentes no set enche meu coração de força. O clipe foi construído, produzido, filmado e editado só por mulheres e o elenco é exclusivo de mulheres negras. A Bia, durante o processo de gravação, fez muita questão de exaltar cada uma de nós pelo trampo e entre nós é muito gratificante ver o respeito de uma mulher pelo trabalho da outra e o quanto confiamos umas nas outras. Ninguém manda em ninguém, ninguém sabe mais que ninguém, nós funcionamos de forma orgânica sem conflitos. O clipe nasceu lindo, usamos da música para exaltar a sororidade das mulheres pretas, esse é o nosso corre“, conta a diretora Ellen Faria.

“’De dentro do AP’ é como muitos dos nossos trabalhos: uma fusão da nossa militância na vida, uma produção inteiramente feminina, um set majoritário de minas pretas e a prova literal que o feminismo não faz sentido se ele não for afrocentrado! Em apenas dois dias intensos de gravação com um amor e um aprendizado que só me permitiu ouvir, ainda mais como mana branca, nesse tempo todo da pré até a pós. O ‘De Dentro do Ap’ é um abraço em cada mina preta que tá no corre, dia a dia, fazendo história, dia a dia, fazendo a vida virar filme”, completa a diretora Sabryna Murali.

Assista:

‘Sol e Sal’: Salgadinho e Ferrugem somam forças em novo single. Confira!

O videoclipe do single, lançado nesta sexta (26), conta com participações especiais dos atores Dudu Pelizzari e Aline Bernardes

Postado em 26/04/2019 por

O cantor Salgadinho, ex-líder do grupo Katinguelê – um dos maiores sucessos dos anos 90 – e o sambista Ferrugem, um dos nomes mais populares do atual cenário musical brasileiro, acabam de lançar o single e clipe “Sol e Sal”. A música, primeira de cinco que Salgadinho planeja lançar neste ano, marca o retorno do músico à carreira solo.

Composta por Ferrugem, ‘Sol e Sal’, que utiliza elementos tipicamente brasileiro para retratar a história de amor de um casal, foi escolhida a dedo para ser a responsável pelo retorno da carreira de Salgadinho. “Quando ele (Ferrugem) me mandou a música, sabia que já faria parte desta nova etapa da minha carreira. Ela trata do romance na linguagem com coisas simples, da junção do feijão e arroz, do queijo e goiabada que são coisas enraizadas na cultura brasileira achei charmoso”, disse o ex-Katinguelê.

Sobre a escolha da parceria, Salgadinho ainda reconheceu que trabalhar com Ferrugem significa o encontro de duas gerações importantes do samba. “Sempre acompanhei a dele (Ferrugem). É um artista que acompanho há anos e sempre tive muita empatia por sua arte. Gravar essa canção, que também é de sua autoria, mostra a união da indústria do samba. Estou muito feliz”, completou.

Dirigido por Felipe Travitzky – responsável por clipes de artistas como Pollo, Scalene, Restart e Kamau – o clipe, que tem participações especiais dos atores Dudu Pelizzari e Aline Bernardes, conta a história atual de um casal diferente, mas tipicamente brasileiro. Confira (também nas plataformas digitais):

 

Precursor do movimento pagode anos 90 e idealizador do projeto “Amigos do Pagode 90″,  Salgadinho possui 30 anos de estrada, hits como “Inaraí”, “Lua Vai”, “No Compasso do Criador” e “Engraçadinha”. Seu mais recente projeto, “Amigos do Pagode 90”, passou por 17 Estados, 60 cidades e levou cerca de 300 mil pessoas aos shows nos últimos 3 anos.

Baleia dá continuidade ao “Disco Vivo”

Segundo capítulo do álbum “Coração Fantasma” chega com três músicas inéditas

Postado em 24/04/2019 por

Com o lançamento do primeiro capítulo de Coração Fantasma, um álbum que está se construindo com o tempo, a Baleia não trouxe apenas três músicas inéditas, mas também iniciou uma turnê onde está experimentando o repertório dos capítulos seguintes. No dia 23 de abril, foi possível conferir o resultado de mais três canções inéditas que serão adicionadas ao disco original lançado em outubro de 2018.

Agora com 6 faixas, “Coração Fantasma: Capítulo II” abre com “Duelo Fantasma (Epílogo Sórdido)”, uma música de batidas energizantes e graves profundos. Talvez a primeira canção da banda perfeita para pistas de dança, parece se inspirar tanto em Beyoncé quanto Fiona Apple. Na sequência, uma das faixas mais pop da banda e uma das preferidas do público durante os shows da turnê, “Tudo Falta, Você Sobra” ganha uma versão de estúdio propulsiva e dançante. Já “Eu Mal Estou Aqui” traz as participações do trio curitibano Tuyo e pianos de Vitor Araújo. Uma canção atmosférica repleta de elementos sonoros sensíveis e exuberantes, entrando e saindo de cena enquanto as palavras da cantora Sofia Vaz vão ganhando cada vez mais gravidade, até o momento em que a canção se consome por inteira. Na sequência, as músicas já lançadas e conhecidas do público, presentes no primeiro capítulo, encerram o álbum.

A identidade visual também segue sendo alterada junto com os novos lançamentos. A capa é a continuidade do processo de pintura de um quadro feito pela artista Lisa Akerman, que também só se encerrará quando a última parte for lançada.

A banda segue com a proposta original do seu “disco vivo”: enquanto um capítulo é revelado ao público, outro está sendo gravado; enquanto um está sendo gravado, outro está sendo criado. O resultado completo do disco só será constatado ao final para público e banda, que continuarão caminhando juntos durante esse processo de manufatura de um álbum.