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PAUTA
Informação e música em harmonia

Di Melo celebra 45 anos de carreira no Centro Cultural SP

Foto: André Barone

Apresentação terá participações especiais da rapper Tássia Reis e de Gabi Di Abade, filha do cantor e compositor pernambucano

Postado em 28 de setembro de 2018 por

No próximo domingo (30), a sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo será convertida em uma espécie de salão de baile, com o irresistível apelo dançante do samba soul do cantor e compositor Di Melo.

Celebrando 45 anos de carreira, o artista pernambucano sobe ao palco às 18h. O repertório passará por hits de seu cultuado primeiro álbum de 1975, como Kilariô, A Vida em Seus Métodos Diz Calma, Pernalonga e Se o Mundo Acabasse em Meu Mel, mas também estará apinhado de faixas de O Imorrível, segundo álbum de Di Melo, lançado em 2016, além novidades de seu mais recente trabalho, gravado ao lado da big band francesa Cotonete e previsto para sair editado no começo de 2019.

Em 1973, radicado em São Paulo, o jovem artista recifense iniciou sua carreira artística com o codinome Boby D’Melo. Com o lançamento de seu primeiro álbum pela Odeon, Di Melo começava a experimentar algum êxito comercial quando embarcou em um comportamento de autossabotagem.

Como bem sabem os fãs de primeira hora, o artista passou mais de duas décadas em pleno ostracismo e anonimato. Desprendido e “muito louco”, o compositor mergulhou de cabeça em um longo ciclo de desbunde que somente foi interrompido quando, na virada do milênio, ele soube que seu LP de 1975 escalava o topo da lista de discos desejados por um sem-número de DJs e colecionadores espalhados em seu País e ao redor do mundo.

Em 2011, novidade que reiterou a amplitude do culto em torno de sua obra, Di Melo foi surpreendido com a aparição de uma cópia do disco no clipe de Don’t Stop The Party do popular grupo californiano de hip-hop e R&B The Black Eyed Peas (veja a cena, aos 6’06”).

Para esse novo público, no entanto, tamanha era a desinformação sobre o paradeiro de Di Melo que corria à boca pequena o factoide de que ele já havia partido dessa para melhor. Mito que só foi derrubado com o lançamento do documentário Di Melo – O Imorrível, curta-metragem rodado em 2009 pelos diretores Alan Oliveira e Rubens Pássaro. Naquele ano, além da empatia do público, o filme consquistou o Kikito de Melhor Montagem no Festival de Gramado.

Desde então, ano após ano Di Melo procura reinventar sua faceta artística. Além dos fãs, ganhou uma nova companheira, Jô Abade, sua empresária, com quem teve a menina Gabi, hoje com 12 anos. Com a injeção de vida regrada imposta por Jô e Gabi, o artista abriu seu baú de composições, criou novos temas e lançou, em 2016, o elogiado álbum Imorrível.

No mais recente capítulo de sua volta à melhor forma, Di Melo passou o último mês de julho em Paris, apresentando uma série de shows ao lado dos músicos da Cotonete, com quem acaba de lançar um maxi-single (um vinil de 12 polegadas por 45 rpm) com duas versões da faixa A.E.I.O.U..

Narrativa incomum em nosso meio musical, as memórias da ascensão, queda e volta imponente de Di Melo são narradas a seguir, em primeira pessoa.

Como é que você chegou ao caminho de querer tocar um instrumento e, depois, se aventurar pela composição?
Acho que na barriga da minha mãe eu já fazia música. É uma coisa que já nasceu comigo. Mesmo. Eu sempre gostei de entalhes, de pintura, de música, de compor. Bem moleque eu já perseguia essa ramificação.

E quem te introduziu ao instrumento? Sei que seu pai, Artur, e sua mãe, Gabriela, eram também loucos por música, não é isso?
Meu pai, Artur Napoleão, tocava violão e dona Gabriela cantava, fazendo as coisas em casa. Estava sempre cantando. Isso foi me motivando. Recife é celeiro das várias artes. Na pintura, no teatro, na música, tem um pessoal que se sobressai e, melhor, que sobrevive sem ter que vir para São Paulo ou para o Rio de Janeiro.

Você passou a infância e a adolescência no Recife?
Passei. Até os 17 anos, estive sempre no Recife. Perseguia todos artistas, para mostrar meu trabalho. Foi aí que encarnei no Wanderlei, organista do Roberto Carlos, e vim para São Paulo no final de 1968 – mas estava nudo crudo. Fiquei aqui algum tempo, ele até me levou para a Odeon, e eles gostaram de mim, só que São Paulo era muito frio. Eu estava acostumado com o Recife, habituado, moleque praieiro, inteiramente praieiro, fazendo entalhes, concorrendo no Pátio de São Pedro (tradicional comércio público de artesanato da capital pernambucana) com Manoelzinho Dartene, Maurício Pacheco e Mano Teodósio.

E Wanderlei foi quem te trouxe para São Paulo?
Sim. Wanderlei, que era organista de Roberto Carlos. Fiquei na casa dele algum tempo e decidi voltar pro Recife. Voltei, fiquei por ali, continuei armando no Pátio de São Pedro. Sobrevivia com a história do Pátio São Pedro, tocando nos bares, vendia meus quadrinhos, vendia, à noite, meus entalhes, até que, no Recife Antigo, conheci Jorge Ben. Ele deu mole, e toquei a viola na cabeça dele. Ele disse “você leva jeito”, e me deu um cartão do Roberto Colossi, que era empresário de todo mundo, de Chico Buarque de Holanda a Paulo Sérgio. Colossi fazia tudo…

E Jorge estava tocando ou foi um encontro casual?
Não. Ele tinha tocado e estava passeando. Cheguei em São Paulo e o Roberto gostou muito da minha figura – simplória, mas fazendo um som já balançado na época –, e me deu apoio. Comecei a trabalhar nas caravanas. Fui parar na caravana da Ducal (série de shows promovidos com o patrocínio da extinta marca de confecções). As gravadoras faziam muitas caravanas e as rádios também.

Mas esse era um projeto voltado para a Odeon ou era para a Philips – pergunto, porque Jorge era da Philips?
Não, não. Era Roberto Colossi me apoiando, porque Jorge Ben havia pedido. Um tempo depois ele passou muito mal, ficou doente e veio a falecer. Perdi meu padrinho e fui para a noite, comecei a trabalhar na noite, o que me deu as manhas, as maçanhas, as maranhas, as mamunhas e as tramoias.

E era aquela noite de São Paulo que tinha o Jogral, o Baiúca e toda aquela movimentação no entorno da praça Roosevelt
Sim, tinha o Jogral, Lei Seca, Chop Chocolate Show, Aleluia, Janela Para o Mundo, Balacobaco, Teleco-Teco, Igrejinha.

E aí seus shows eram você e o violão?
Eu e o violão. No Jogral, peguei uma época em que quem subisse no palco teria que superar quem desceu. E só tinha cobrão na noite. Era incrível. Eu tinha meu público cativo. Alaíde Costa chegou um dia e disse ao Moacir Menghinhi Machado, que então era o diretor da Odeon, “Moacir, tem um baiano aí”…

Baiano?
Baiano, porque em São Paulo todo mundo que falava arrastado naquela época era “baiano”. “Tem um baiano aí, muito doido, que tem total domínio do público, e o público vem para vê-lo em todos os lugares. Eu queria que você fosse vê-lo”. Então o Moacir veio, conferiu, gostou e me convidou para assinar o contrato desse disco da EMI-Odeon. O Corisco, Waldemar Marchetti, Deus o tenha, também me ajudou.

O Corisco percussionista, do Corisco e Os Sambaloucos?
Exatamente. O Corisco era arregimentador de algumas gravadoras, como RGE, RCA, Continental…

Imagino que Corisco tenha te ajudado por meio da Arlequim, a editora dele, não é? Porque ele já tinha a Arlequim nessa época…
Sim. Através da Arlequim ele foi o arregimentador desse disco, convidando Hermeto Paschoal, Heraldo do Monte, Claudio Bertrami, que depois fez o Grupo Medusa, Bolão (o saxofonista, ex-líder do grupo Os Rockettes), Capitão (trompetista), Ubirajara (o bandeonista e maestro Ubirajara Silva), pai do Taiguara.

Geraldo Vespar fez os arranjos…
Sim, Geraldo Vespar. Tem também o José Briamonte, maestro, pai do Miguelzinho, que tá aí na área

Um time maravilhoso…
Maravilhoso! Incrível! Luiz Melo, nos teclados, e o corinho da Eloá. Foi muito bacana…

Mas, voltando um pouquinho, teve uma fase em que você era chamado de Boby D’Melo e que chegou a lançar algumas composições com esse nome, não é?
Sim. Boby D’Melo. Depois virou Di Melo. O Jair (Rodrigues) e pessoas muito amigas minhas me chamavam de Bob, a Alaíde Costa também. Um dia, Alaíde chegou para mim no Jogral e disse “Bob, vou te contar, um dia saio dos meus saltos e quebro a cara do Papete”. Eu disse: “calma, não precisa não, deixe que cuido disso”. Dei, dei no Papete – Deus o tenha em um bom lugar. Ele era metido a lutador de capoeira, o cacete, e barará… Eu disse “tome no fucinho” (a briga se deu porque Papete, que era espécie de gerente do Jogral, volta e meia intervinha nas chegadas inesperadas de Alaide, alta madrugada, e tentava impedir que ela entrasse no bar com seus convidados).

Papete levou “no focinho” mesmo?
Levou. Mas ele era um cara legal. era meu amigo e não ficou de mágoa. Foi lance de momento. Tem pessoas ficam guardando mágoa, bronca, e isso é papo de otário. Acho que você tem que tocar a vida, porque você só tem uma. A única certeza que você tem é que você veio e que um dia irá. Se não for de jovem, de velho não passará.

Mas essa geração de que você está falando, pelo contrário, era muito unida, tanto na noite quanto no ambiente dos estúdios. O próprio Briamonte escrevia arranjos para a Philips, da mesma forma que escrevia para a Odeon e levava seus músicos de um lado para o outro…
Exatamente. Mas eu tinha o sangue meio que apimentado. E não costumava levar desaforo (risos). Também tinha a história da droga. Eu era muito maluco. Se eu tivesse pego essa história da Odeon com a cabeça que tenho hoje, seria talvez um dos caras mais bem-sucedidos da música popular brasileira, porque esse disco tocava em tudo que é lugar. Tudo foi feito em oito dias. Eu nunca havia entrado em um estúdio, e esse disco foi todo feito de uma forma incrível. Nas fotos, do Carlinhos Dutweller, apagamos tudo no estúdio, ele jogou uma luz infra-vermelha e deu essas fotos.

Foram exatamente oito dias para resolver tudo, inclusive os arranjos do Vespar? Vespar, aliás, também era um instrumentista genial, na guitarra, no violão…
Exatamente. Na música João, é ele quem toca. Eu vinha, passava os arranjos como eu tinha criado – como, aliás, eu faço até hoje – e ele desenvolvia o restante.

A Odeon, a Philips e a RCA Victor, na época, tinham enorme esmero na produção de seus LPs e compactos. Você comentou há pouco que foi você que rompeu com a Odeon, que estava maluco…
A transação toda, ocorre o seguinte, foi assim: eu tinha esse disco tocando em tudo que é rádio. Tudo que puseram na rua vendeu. Eu tinha também uma música com Wando naquele disco com “moça, me espere amanhã” (Di Melo cita o álbum de 1975, o terceiro de Wando), a última música é minha, uma valsinha linda, chamada Volta. Quando dinheiro era dinheiro, Wando faturou 28 milhões (de cruzeiros, moeda da época). Dinheiro pra caramba! Daí fui receber – e eu tinha música com Jair Rodrigues também, Paspalho, música minha e de Olmir Stocker, o Alemão – meus direitos e vieram com 11 cruzeiros. Pô, não é que eu quisesse fazer música somente por dinheiro. Não era essa a minha ideia, mas que coisa maravilhosa é conseguir sobreviver do seu trabalho. Nada mais honesto.

Nessa época, havia muitas críticas contra o ECAD e os artistas começaram a se reunir para defender seus direitos.
Sempre houve, há e haverá. Porque o direito autoral no Brasil é uma coisa muito complexa. É como você tentar decifrar o mistério da Santíssima Trindade – o pai não fez, o filho não fez e o neto muito menos. É mais ou menos assim. E eu tenho mais de 400 músicas, 12 das quais com Geraldo Vandré, que faz parte da história da música popular do Brasil e do mundo, tenho também música com Baden Powell, inédita.

Você e Baden se conheceram no Japão?
Não, foi depois.

Aliás, a gente não falou da sua passagem pelo Japão, que precede o disco de 1975…
A transação é a seguinte, conheci o Baden quando ele veio para cá, para se apresentar em São Paulo, e eu colei para ver. Toquei meu violão, ele gostou e me convidou para abrir o show dele. Baden me denominou “Pureza”, tamanha era a pureza de minha alma. Ele gostava muito de mim. Eu fiz agora (no disco O Imorrível, de 2016) a música Basta Bem Pensar, uma homenagem ao Baden Powell, porque ele me deu grande abertura, assim como Geraldo (veja abaixo Di Melo interpretar a composição no Estúdio Showlivre).

Essa parceria entre você e Baden é instrumental ou uma canção?
Não, eu canto.

Mas nessa fase o Baden estava com um quarteto instrumental, não é?
Sim, sim. Mas cheguei com um pedaço da música e ele deu a sequência. E essa Basta Bem Pensar foi uma homenagem que eu fiz a ele, pelas coisas que ele me dizia. Ele é “escolástica”, como o próprio Vandré. Eu dei muita sorte na vida por estar ali, junto com pessoas que são realmente faculdade de vida.

E essas 12 canções que você fez com Vandré foram gravadas?
Algumas coisas sim. Tem uma música no Imorrível, minha e dele (a composição Cantamaltina), e tem uma que está no disco com o Cotonete (banda francesa que acompanha Di Melo em seu novo, e ainda inédito, álbum). Ele (Vandré) está liberando aos poucos, porque também meio pegou bode de tudo que acontecia por aqui.

Ele também escolheu sair de cena por um longo período.
Sim. Também conheci o Vandré no Jogral. Aconteceram muitas coisas boas para mim no Jogral. O Vandré, eu estava lá, ele surgiu e eu cheguei “vida na morte, ser forte / coração, se presta, não pede clemência / coragem presta, faz guerra na Terra para poder mudar” (Di Melo recita a letra de uma composição dos irmãos pernambucanos Rodolfo e Ricardo Moraes, canção que ele defendeu em um festival no Recife). Ele se afeiçoou, e eu disse, quer que eu dê continuidade ao trabalho? Ledo engano. Saímos de bandola, feito caranguejo: Brasil, Paraguai, atravessamos fronteiras…

Nessa época ele continuava perseguido pela ditadura? Isso também foi uma válvula de escape para não ficar na barra pesada que rolava aqui?
Não. Fomos parar no Paraguai com o maestro Michael Kelly. Vandré fez algumas músicas com Enzo Merino, com o filho do Thiago Mello, o Manduka, que também faleceu. De vivo tem o Ivo, tenho eu e o Sabiá, Osmar de Lima “Sábia”, que tem música com Vandré. Wandeka também e Alaíde Costa. Então, eu me sinto um cara privilegiado por ter músicas com esse pessoal, com Waldir da Fonseca. Tenho uma música gravada com Waldonis, que é o cara que herdou a sanfona do Gonzagão, a família dele era “padrinho” do Gonzagão.

Falando no Gonzagão, e eu sei que ele é uma influência enorme pra você, chama a atenção, nesse seu disco de 1975, a sonoridade que você emplaca. Claro que, por um lado, há o entendimento de que os músicos envolvidos no registro, Vespar e Briamonte também, tinham toda uma informação de vanguarda na cabeça, mas esse disco antecede, por exemplo, coisas que vieram com o Movimento Black Rio. Como é que você conseguiu chegar a essa sonoridade. Que influências você teve, além do Gonzagão, pra chegar nesse resultado?
Ouvia muito Jackson do Pandeiro, que teve uma grande história, ouvia Paul Anka, ouvia de tudo. Beatles, Elvis Presley, Jimi Hendrix. Eu me achava muito parecido com ele (com Jimi Hendrix), quando estava cabeludão. Ele era muito bom. Tivemos todas as aberturas, quebramos todos os tabus. Nossa geração é incrível. Muita gente parou de viver para curtir. Por isso mesmo chegou a época de loucura tamanha que pedi rescisão da EMI Odeon.

Que é justamente essa fase que você falou, das viagens om Vandré…
Então, eu pedi rescisão da Odeon porque não tinha condições de fazer o trabalho que eu fazia, de ver músicas gravadas por pessoas que estavam no mercado, mandando no mercado, vendendo pra caramba e eu não ver dinheiro. Quer dizer, eu comecei a ser sacaneado na editora desde os anos 1970. Tenho 400 músicas, tenho dois livros compilados, A Minicrônica da Mulher Instrumento e Bicho Voador. Quer dizer, eu era pra estar nababo, e a coisa não virou. Eu perdi a vontade de fazer um som. Não que eu parasse de compor, de fazer showzinhos intimistas, essas coisas. Parei de aparecer, de batalhar em rádio. Continuei criando, recriando e recriando.

Veja o Showlivre.DOC “Di Melo em Primeira Pessoa” (confira também as partes 2: bit.ly/2wvvAMe e 3:bit.ly/2ogl8Vs)

E a proposta da Odeon era do tipo “vamos fazer esse disco e depois a gente vê o que faz, depois a gente estende o contrato”?
Não. E eu nem quis saber o que seria. Peguei bode e sai. Aí esse disco ficou largado durante uma longa periodicidade. Eu meio que abominei esse disco.

Você nem chegou a fazer shows para apresentar o repertório dele?
Não. Esse disco tinha também uma música, que era do Waldir da Fonseca, um chorinho que quem tocou esse choro foi o Milton Banana. O Milton deu uma canja nesse chorinho, que é lindo, mas não saiu nesse disco. Não sei que “ingresia” arrumaram que não saiu

O Milton também lançou vários LPs pela Odeon…
Sim, ele era da Odeon. Esses caras que gravavam pela EMI Odeon e que fizeram esse disco eram ratos de estúdio, como ratos de porão.

O próprio Geraldo Vespar produzia inúmeros discos na época. O Briamonte também…
Sim. O Boneca também. Muito gente boa. E esse pessoal todo se mandou. Já foi pra parte de cima. Falei com o José Briamonte faz um tempinho, falei também com o filho dele, Miguel Briamonte. Capitão, Bolão e Claudio Bertrami, todo mundo foi embora. O Alemão eu sempre encontro. É uma sumidade.

Um dos maiores guitarristas do Brasil. Aliás, ele e o Heraldo, que também está no disco.
O Heraldo também. Lá fora colocam tapete vermelho pro Alemão passar. O Alemão é meu camarada. Eu vou lá (na casa do guitarrista) comer bolinho. Ele mora na Casa Verde (bairro da zona norte de SP). Vou lá comer bolinho, tomar cafezinho, bater viola, fazer arranjos. Ele já fez arranjos para a Gabi cantar. A Gabi está dando sequência a exatamente isso. Eu havia perdido a vontade de fazer meu trabalho, de fazer as coisas, quando surgiu a Gabi. A mulher (Jô Abade) disse “to prenha”, e eu comecei a pensar realmente em voltar a fazer as coisas.

Ouça, na íntegra, o álbum Imorrível 

Mas o que você fez nesse longo período em que ficou parado, desde que tomou a decisão de não continuar na EMI?
Vai vendo… Fui trabalhar com Geraldo Vandré. E sai andando com ele, achando que ia dar sequência, meio que como um secretário dele, nas andanças, nas loucuras. E foi também um aprendizado, porque fomos fazendo música. Larguei tudo, nessa história, e voltei com essa sessão. E também trabalhei com música italiana, na Cantina Camorra.

Como intérprete de música italiana?
É. Cantava música italiana, só que eu a colocava num pique de samba. E o pessoal adorava, era uma piração, era uma loucura. Eu subia nas mesas, pegava os taralli (salgadinho italiano em formato anelar) e colocava no dedo das meninas, noivando e tal. Quando a coisa incendiava muito, eu pegava um extintor e abria em cima da mesa. Era uma loucura muito grande. A comida não era grande coisa, mas a zona, a zueira era fantástica. A Camorra era uma loucura. Virava bicho, ali na Consolação com a Oscar Freire. Era uma fila arretada, uma zuada só.

Você falou da zoeira, e há pouco comentou essa situação de tua saída da Odeon ter sido intempestiva porque você andava muito louco. Até que ponto a falta de disciplina, essa vida desregrada, foi decisiva para você desistir de tudo? A coisa era mesmo nesse grau de loucura?
Era. Eu era muito doido. Era mais louco do que todos que conheci. Cheguei ao ponto de fumar meu próprio cabelo pra ver se dava barato. Eu era louco. E sai dessa sem ajuda de médicos, sem ajuda de nada, velho. Foi na raça. Dizer também que o cara se droga pra matar, para roubar, é tudo papo furado. Nunca tive essa patifaria, nunca trafiquei, nunca matei, nunca roubei e nem me prostitui – pronto, melhor ainda. Sempre trabalhei. Preto e pobre, porém honesto. Não me acho melhor nem pior que ninguém. Só sei que quando subo no palco me garanto. Pode descer quem descer. Pega um Rolling Stones, deixa aquele aparato, aquela aparelhagem, a banda tocando, para tu ver o que eu apronto.

Nos anos 1980, você vivia do quê? E quando foi que ocorreu o acidente de moto que levou ao mito de que você havia morrido?
Minha casa, se você for lá um dia perceberá, é como se fosse uma galeria. Tem obra de arte do chão ao teto. Pintura, escultura. No banheiro, na cozinha. Fui catalogando coisas ao longo do tempo, e tenho amor a tudo que faço. Tenho carinho, respeito e determinação. Sempre gostei muito disso. Arte sempre foi pra mim ordem do dia. Nasci, vivo e vou morrer com arte. Esse é meu alimento, meu combustível. Tenho um público “maravilindríco”. Então, voltando ao assunto, fiquei com Vandré, fiquei nas praias, e fiquei também com o lance da música italiana. Negociei também muitos quadros com Belchior, vendi obras para o Ney Matogrosso, vendi um tapete para o Gil, vendi trabalhos para Caetano, Bethânia. E foi assim que sempre sobrevivi de arte, tocando uma violinha e tal. Assim fui me mantendo, até que alguns DJs começaram a descobrir esse disco (o álbum de 1975), a tocar as músicas e eleger o disco como um dos mais cotados da música brasileira de todos os tempos. O que, para mim, foi uma honra, porque isso me deu um público lindo.

Como é que chegou essa informação para você? Alguém disse “teu disco está estourado lá fora”?
A Jô estava grávida de Gabi

A inclusão de A Vida em Seus Métodos Diz Calma na coletânea da Blue Note, Blue Brazil Vol. 2, foi em 1998, ou seja, isso faz 20 anos…
Teve também um DJ muito famoso, que sampleou Pernalonga (Di Melo se refere à dupla N.A,S.A., formada por Zé Gonzales e Sam Spiegel e que sampleou sua composição na faixa The People Tree, de 2009). Aí apareceu o disco no clipe do Black Eyed Peas (o clipe de Don’t Stop The Party, veja o LP de Di Melo, aos 6’04”) e as coisas foram acontecendo. Primeira letra do lance foi também tocar no Estúdio Showlivre. Sinceramente, as coisas foram se encaixando. Teve a história da morte trágica, que não houve, mas foi um desastre de moto.

Um acidente realmente grave, não foi?
Foi. Pulei uma ponte, e fiquei meio que paralisado. Eu tinha saído do Bar Avenida e fui para um sítio. Quando dei por mim, meio que chapadérrimo, vi dois caminhões vindo na minha direção, E isso não foi alucinação, eles iam passar sobre minha moto. Foi aí que eu pulei – e ainda tenho o corpo todo quebrado. Pulei numa ponte, a moto entortou toda, minha coluna mais ainda, e fui parar no tal doutor Liasch (o fisioterapeuta Pedro Liasch Filho), que, na época, era o cara que cuidava da coluna de Pelé, Rivelino e Sarney. Juntei tudo que eu tinha de grana e uma namoradinha meio riquinha que eu tinha na época me ajudou a custear, a bancar toda a coisa.

Que ano foi exatamente isso, Di Melo?
No começo dos anos 1990. Eu morava em cima do Sujinho (tradicional restaurante na rua da Consolação, no centro de São Paulo), o último andar era meu. E, porra, eu tava praticamente de cadeira de rodas. Reencontrei um amigo meu que mexia com coluna, ciático, essas coisas, e ele disse “Di Melo, véio, o que é que é isso?”. Esse cara fez parte do Corpo (o grupo de dança). Na terceira sessão, eu sai andando, sai jogando bola. Mas como eu sai de cena, todo mundo ficava “pô, o Di Melo morreu”. Como o Di Melo morreu e ninguém falou pra ele (risos), daí foi feito o documentário Di Melo, o Imorrível, que ganhou o Kikito em Gramado. Ganhou dez prêmios, foi para o Canal Brasil. Como o filme deu tão certo, veio esse disco, O Imorrível (álbum lançado por Di Melo em 2016), uma coisa  bancada pela dona Jô.

Tive o prazer de receber de suas mãos uma cópia desse disco logo que ele saiu. Quando ouvi na íntegra, me chamou a atenção o fato de que a sua personalidade de autor estava completamente mantida em relação ao primeiro. Algo complexo, se pensarmos que 41 anos separam um disco do outro.
Houve a preocupação de fazer música boa para jovens de todas as idades e para qualquer intempérie, em mais um disco atemporal. Minha preocupação é fazer música boa, música que fique, que seja legado. Muita gente chega pra mim e diz “Di Melo, você me salvou. Já pensei até em suicídio, mas comecei a ouvir sua música e fiquei de bem com a vida”.

Impossível negar que quem vai a um show seu percebe isso logo de cara. O astral que vem da tua personalidade parece contaminar todo o ambiente.
Isso é obra do divino. Recebo coisas que só eu recebo. E estou atraindo cada vez mais pessoas que estão embasadas e estão ligadas ao som de forma real, que também comungam com isso. Pra mim, é uma honra, uma glória, assim como estar aqui com vocês é um presente de Deus.

Para concluir, uma pergunta óbvia: que balanço você faz desses 45 anos?
São 45 anos muito bem vividos, que me deram 400 músicas, dois livros compilados, uma filha maravilhosa, amigos como vocês, dona Jô, uma mulher que batalha e já se suicidou umas dez vezes por minha causa. Posso me considerar um cara feliz, não “desfeliz”, e acho que nunca vou ser infeliz porque sou alegre por natureza. Comungo com a vida e só quero coisas boas para a humanidade. Se dependesse de mim, o mundo seria diferente. Eu investiria mais em cultura, investiria mais em qualidade de vida, mudaria alguns contextos, porque tem coisas que para uns estão certas, para outros não, mas tá valendo: a vida é assim.

MAIS
Veja, na íntegra, a apresentação de Di Melo no Estúdio Showlivre. 

 

“Eu espero que em 2019 eu cante com a Beyoncé”, diz Mc Soffia na SIM SP

MC Soffia foi uma das integrantes da roda de conversa sobre a construção da imagem do artista nas redes sociais. (Foto: Divulgação)

A rapper de 14 anos de idade foi uma das convidadas da roda de conversa sobre o cuidado com a imagem nas redes sociais

Postado em 08/12/2018 por

Com apenas 14 anos de idade, MC Soffia é uma das representantes mais populares do rap feminino nacional. Nesta edição da Semana Internacional de Música (SIM), a cantora foi uma das integrantes da roda de conversa a respeito dos cuidados (e construção) com a imagem do artista nas redes sociais e, além de mostrar ser extremamente consciente apesar da idade, compartilhou com o público alguns de seus desejos profissionais para o próximo ano. “Eu espero que em 2019 eu cante com a Beyoncé“, disse.

Embora o assunto da mesa era os cuidados para construir uma boa imagem na internet, a jovem contou que ela é apenas uma criança como todas as outras e que sua presença nas redes sociais não é tão planejada, mas sim algo mais natural. “Eu sempre sou Soffia, mas tento mostrar maturidade”, refletiu. A rapper ainda contou que prova dessa naturalidade são algumas situações características de criança e que ela as vezes precisa passar nos palcos. “Já cantei com o  nariz sangrando porque bati o skate”, brincou.

SIM-SP_PietáRivas "Eu espero que em 2019 eu cante com a Beyoncé", diz Mc Soffia na SIM SP

(Foto: Pietá Rivas/Showlivre)

Em contrapartida, Soffia demonstrou ser madura em relação ao futuro de sua carreira. “No futuro, eu quero estar em vários lugares. Não quero ficar presa em uma coisa só. Eu quero atuar, cantar, dançar….”, contou. A preocupação da rapper com eventos que ainda estão para acontecer não anula sua participação e movimentação em coisas do presente! Soffia dedica suas letras e popularidade para falar sobre o empoderamento da menina negra e criar coletivos para discussão das questões acerca do tema com meninas de sua mesma faixa etária. “Adulto não entra”, disse.

Em setembro de 2015, quando ainda tinha apenas 11 anos de idade, MC Soffia foi uma das atrações do Estúdio Showlivre. A apresentação está disponível, na íntegra, em nosso canal no YouTube. Confira:

Jay Vaquer e A Banda Mais Bonita Da Cidade se apresentam na Jai Club

Shows, que acontecem nos dias 8 e 9 de dezembro, comemoram os três anos de casa e ingressos já estão à venda

Postado em 07/12/2018 por

A Jai Club recebe no próximo final de semana, dois grandes nomes da música brasileira.  No sábado (8), o cantor e compositor carioca Jay Vaquer chega à São Paulo para o show de seu novo álbum, “Ecos do Acaso e Casos de Caos”, recém indicado como melhor álbum de Rock de Língua Portuguesa ao 19° Grammy Latino. Já no domingo (9), os curitibanos d´A Banda Mais Bonita da Cidade, donos do hit “Oração”, desembarcam na cidade para apresentar a turnê de seu mais novo álbum “De cima do mundo eu vi o tempo”.

Com 18 anos de carreira e 10 álbuns lançados, Jay Vaquer promete apresentar ao publico da capital, músicas de seu mais novo trabalho e de todos os outros CDs lançados até aqui em sua turnê “Tourbilhão Voraz”. “É sempre bom tocar em São Paulo. Cada show é único, tanto na entrega, quanto na energia. Será uma apresentação grandiosa e trarei o melhor dos meus 18 anos de carreira. Estou chegando, São Paulo”, promete Jay Vaquer.

Seguindo no mesmo clima, A Banda Mais Bonita da Cidade, apresentará canções de todos os trabalhos lançados até hoje. “Toda vez que tocamos em São Paulo é como se estivéssemos em casa. Preparamos um show que contemplará todas as fases d’ A Banda até o nosso mais novo trabalho (De cima do mundo eu vi o tempo),” comenta Uyara Torrente, vocalista.


Serviço: Jay Vaquer em São Paulo | Jai Club

Data: 08 de Dezembro
Abertura da casa: 18h
Horário do show: 19h40

Endereço: Rua Vergueiro, 2676 – Vila Mariana – Prox. Metro Ana Rosa
Preços: R$30,00 – 1° Lote | R$40,00 – 2° Lote |R$50,00 – 3° Lote
Venda Online:
https://pixelticket.com.br/eventos/2740/jay-vaquer-em-sp

Censura: Livre

Serviço: A Banda Mais Bonita em São Paulo | Jai Club

Data: 09 de Dezembro
Abertura da casa: 17h
Horário do show: 19h30
Banda Convidada: Eu, trovador
Endereço: Jai Club – Rua Vergueiro 2676 – Vila Mariana – Prox. Metro Ana Rosa
Preços: 1º Lote R$30,00 | 2º Lote R$40,00 |

Vendas online: https://goo.gl/f36FjX
Censura: Livre
Mais Informações (tel/e-mail): 98013-0425 | contato.jaiclub@gmail.com

“Enquanto eu puder, dou predileção às profissionais mulheres e negras”, diz Luedji Luna

Luedji Luna fala sobre a participação da mulher negra na música durante a SIM SP. (Foto: Showlivre.com)

Cantora é um dos destaques de roda de conversa promovida pela SIM SP sobre o conservadorismo na música

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Esta quinta-feira (6), segundo dia de eventos da Semana Internacional de Música (SIM), movimentou a comunidade de artistas e investidores do Brasil na capital paulista. Entre palestras e workshops tratando de diferentes assuntos, o Centro Cultural São Paulo recebeu uma roda de conversa composta por fortes nomes da música, como Luedji Luna, Tulipa Ruiz e Mel para falar sobre o movimento no qual a música tem o poder de desafiar o conservadorismo e os velhos modelos de negócio.

Conversadorismo_música_SHOWLIVRE "Enquanto eu puder, dou predileção às profissionais mulheres e negras", diz Luedji Luna

A cantora Luedji Luna, dona de faixas fortes como ‘Cabô’ e ‘Banho de Folhas’, aproveitou o espaço para compartilhar com o público questões características de sua trajetória na música. Por ser mulher, negra, periférica, a cantora contou algumas das dificuldades (ideológicas e físicas) de ser uma cantora independente e precisar administrar todas as coisas e pensar em diversos aspectos de como planejar, majoritariamente sozinha, a sua carreira.

Num pensando de como as coisas andam para ela, Luedji contou que a internet é o grande responsável por seu crescimento profissional. “Talvez eu não tivesse essa autonomia e reconhecimento se não fosse pela internet”, refletiu.

A cantora, que infelizmente enfrenta o racismo camuflado do país, lamenta que ainda é muito mais complicado para a população negra (maioria no País), especialmente mulheres, para conquistas posições de destaque em todos os setores da sociedade, inclusive na música. “Enquanto eu puder, eu dou predileção ás profissionais mulheres e negras”, disse.

A MPB de Luedji Luna foi apresentada no Estúdio Showlivre. Confira a apresentação completa:

 

A conversa passeou sobre as questões e refletindo sobre como o mercado independente pode quebrar a hegemonia presente na cena. “Tem que ter espaço pra todo mundo”, disse Ava Rocha. “A gente ta lutando contra a gordofobia, a liberdade do corpo, liberdade de gênero,… principalmente nesse momento”, concluiu.

Mel, ex-integrante da Banda Uó, antes de encerrar a conversa, pediu para que a comunidade da música tomasse cuidado com a hipocrisia e que, embora a reflexão da igualdade de gênero e racial seja algo recorrente, o mercado ainda é fechado, machista, transfóbico. “A gente precisa tomar cuidado e realmente abrir espaço. As vezes a galera (fãs) está amando e o pessoal da música (mercado) barrando as coisas por conta de seus gostos pessoais. Somos olhadas com um olhar ruim em eventos mais conservadores. Hipocrisia existe”, desabafou, encerrando a conversa.

Enquanto ainda dava sua voz à Banda Uó, Mel também passou pelo Estúdio Showlivre. Relembre:

Plutão Já Foi Planeta encerra série de showcases diurnos na SIM SP

Plutão Já Foi Planeta foi a banda escolhida para encerrar o primeiro dia de showcases diurnos da SIM. (Foto: Pietá Rivas/Showlivre)

Formada em Natal, banda encerrou o primeiro dia de showcases Diurnos no Centro Cultural São Paulo

Postado em 06/12/2018 por

O segundo dia da Semana Internacional de Música (SIM) chegou ao fim! Nesta quinta-feira (6), a banda Plutão Já Foi Planeta – formada na capital de Rio Grande do Norte – foi a escolhida para encerrar a programação de showcases diurnos promovidos no Centro Cultural São Paulo, a casa que concentra o maior número de eventos da programação que vai até dia 9, próximo domingo.

Com cerca de vinte minutos de apresentação, o grupo mostrou um pouco do porquê se tornou um dos nomes mais populares da cena potiguar e apresentou faixas de seu repertório acompanhados de uma bandeira apoiando a causa LGBTQ, que, segundo a vocalista, é uma bandeira do grupo. “Tem que falar a respeito. Principalmente nesse momento pós-eleição”, disse.

Já no começo da apresentação, Natália Noronha – vocalista do grupo – convidou o publico na sala xxxx a juntar-se e assumir o vocal num coro participativo. Embora já tivesse enfrentado uma agenda lotada de apresentações, o público não deixou que o cansaço dominasse o CCSP e terminou a maratona de apresentações com animação e empolgados para continuar a participar de eventos pela cidade na exaltação da música brasileira e internacional.

PJFP_SHOWLIVRE Plutão Já Foi Planeta encerra série de showcases diurnos na SIM SP

No final da apresentação, numa conversa exclusiva com o showlivre.com, os integrante da banda revelaram que esta foi a primeira vez se apresentando no Centro Cultural São Paulo e que isso era um grande sonho dos integrantes. “A gente acha muito legal está no centro onde as coisas estão acontecendo”, falaram.

A respeito do repertório, os integrantes brincaram que foi resultado de uma discussão de meia hora entre os membros para chegar num consenso de como ter uma presença marcante em tão pouco tempo. (E funcionou!)

Além de Plutão Já Foi Planeta, a agenda do primeira dia de Showcases Diurnos da SIM SP também contou com apresentações de nomes como Julia Branco, Alfonsina, Catavento e Attooxxa.

Plutão Já Foi Planeta é uma banda super-parceria do Showlivre.com. Em setembro de 2016, o grupo apresentou faixas do álbum Daqui Pra Lá (2014) no Estúdio Showlivre. Assista a apresentação completa:

PrimeiraMente grava seu primeiro DVD ao vivo no Palco Showlivre

PrimeiraMente grava seu primeiro DVD no Palco Showlivre, dia 14/12. (Foto: Divulgação)

Show acontece na sexta-feira (14), em São Paulo, e contará com participações de nomes como Georgia, Eloy Polemico e mais

Postado em 05/12/2018 por

Para comemorar o primeiro aniversário do álbum Na Mão do Palhaço, o grupo de rap paulista PrimeiraMente fará um show especial e comemorativo no Palco Showlivre, no dia 14 de dezembro, em São Paulo. A apresentação, além de celebrar as conquistas do disco, resultará no primeiro DVD/ álbum ao vivo da banda.

Formado por Leal, Gali, NP Vocal, Raillow e DJ Fire – cada um de um extremo de SP -, o PRMNT traz a essência das batalhas de MCs para apresentar mensagens e reflexões acerca de questões sociais e políticas em suas letras. Além disso, o grupo chama a atenção por sua originalidade de melodias diferenciadas em instrumentais de qualidade.

Intitulado Na Mão Do Palhaço, o segundo álbum do grupo foi lançado em Dezembro de 2017 e rendeu quatro singles/videoclipes para a discografia da banda.“O disco representou muito em vários aspectos para nós, pessoalmente e profissionalmente, principalmente pelo intervalo entre “A Um Passo do Precipício” lançado no fim de 2014 e o “Na Mão do Palhaço” lançado em 2017, quase 3 anos depois… Apesar de lançarmos diversos singles e hits, colaborações, nossos fãs esperavam ansiosamente pelo nosso novo trabalho.Com certeza o disco mais importante até agora da nossa carreira” , disse Daniel Raillow a respeito do disco.

Além das músicas de “Na Mão do Palhaço”, o setlist do show contará com diversos outros sucessos do grupo. Além de PrimeiraMente, esta edição do Palco Showlivre também contará com apresentações de nomes como GeorgiaEloy PolemicoCasa Loca 13SenaNegretti e Emiv.

Com promessa de grandes novidades para as próximas edições, o Palco Showlivre, no Espaço 555, tem como objetivo promover e registrar shows exclusivos na cidade de São Paulo, unindo música de qualidade à tecnologia do Showlivre.com e o charme característico da tradicional casa de shows. 

 

Palco Showlivre | PrimeiraMente
Data: 14/12/2018 (sexta)
Horário: a partir das 21hs
Vendas: TicketBrasil
Local: Espaço 555
Classificação: 18 anos
Av. São João, 555 – Centro – São Paulo SP
www.showlivre.com

Los Hermanos anuncia turnê em nove cidades do Brasil para 2019

Atração do Lollapalooza Argentina, Los Hermanos anuncia turnê pelo Brasil. (Foto: Reprodução/ Facebook Oficial)

Além de shows no Brasil, o grupo também anunciou ser uma das atrações da próxima edição do Lollapalooza Argentina

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Um dos maiores sucessos dos anos 1990, a banda de rock alternativo Los Hermanos está de volta depois de quatro anos distante dos palcos! Em um anúncio oficial, o grupo revelou que, além do Lollapalooza Argentina, também está preparando uma série de shows no Brasil entre abril e maio para “matar a saudade e reencontrar os amigos e fãs”.

Inicialmente, são nove shows confirmados em nove cidades diferentes, sendo Salvador/BA (5/4), Fortaleza/CE (6/4), Recife/PE (12/4), João Pessoa/PB (13/4), Belo Horizonte/MG (26/4), Brasília/DF (27/4), Rio de Janeiro/RJ (4/5), Curitiba/PR (10/5) e São Paulo/SP (18/5).

A venda de ingressos para o público geral, de todas as apresentações, começa no próximo dia 10 de dezembro, no site oficial da Eventim. Valor das entradas pode variar entre R$50 e R$400.

‘Anna Julia’, o maior sucesso do grupo, foi lançado em 1999. O videoclipe oficial, publicado no canal da banda em março de 2011, conta com quase 10 milhões de visualizações. Relembre:

Anitta está em duas das 5 músicas mais reproduzidas do ano no Spotify

Anitta aparece em duas das cinco faixas mais populares do ano no Brasil. (Foto: Divulgação/ Warner Music)

Cantora é a única artista a ocupar duas posições do Top 5 anual, divulgado recentemente pela plataforma de streaming

Postado em 04/12/2018 por

Conforme o ano vai chegando ao fim, é normal que algumas retrospectivas sejam divulgadas. Nesta semana, a organização do Spotify – maior plataforma de streaming do mundo – aproveitou o clima e liberou alguns dos maiores nomes do ano e, na categoria das músicas mais populares, a cantora Anitta ocupou lugar de destaque: duas posições do Top 5 das mais tocadas no Brasil é ocupado pela dona de ‘Downtown’.

Considerada um dos nomes mais influentes do país e transitando entre o funk e a música pop, a cantora é dona da segunda música mais ouvida do ano. ‘Vai Malandra’, faixa que ocupa a vice-liderança, é uma parceria da cantora com nomes como MC Zaac, Maejor, Tropkillaz e DJ Yuri Martins e, na plataforma, conta com quase 150 milhões de reproduções.

No Youtube, o clipe oficial acumula mais de 315 milhões de visualizações.

 

O poder de Anitta não termina por aí! A terceira música mais reproduzida do ano também conta com sua participação. Intitulado ‘Ao Vivo e a Cores’, o single é uma parceria da cantora com a dupla Matheus & Kauan e se aproxima da marca de 95 milhões de reproduções no Spotify. O videoclipe oficial conta com mais de 170 milhões de visualizações.

 

Além disso, o TOP 5 também é formado por nomes como Jorge e Mateus, Kevinho, Simone e Simaria e Gustavo Lima. Confira:

1. Jorge & Mateus – Propaganda – Ao Vivo
2. Anitta Mc Zaac, Maejor, Tropkillaz, DJ Yuri Martins – Vai malandra
3. Matheus & Kauan, Anitta – Ao Vivo E A Cores
4. MC Kevinho, Simone & Simaria – Ta Tum Tum
5. Gusttavo Lima – Apelido Carinhoso

 

‘Propaganda’, o primeiro lugar da lista, conta com mais de 300 milhões de visualizações em seu videoclipe oficial. Confira:

 

Banda brasiliense TORO se apresenta na capital paulista

Toro é uma das atrações da SIM São Paulo (Foto: Thaís Mallon)

Show acontece dia 6 de dezembro no Bourbon Street e faz parte da programação da SIM São Paulo

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A banda brasiliense TORO se apresenta dia 6 de dezembro no Bourbon Street, em São Paulo. O show faz parte da programação da SIM (Semana Internacional de Música de São Paulo) em uma noite de comemoração aos 20 anos do Festival Porão Do Rock, um dos maiores e mais importantes festivais de música independente do Brasil. Participam dessa noite junto com a TORO as bandas Wu Tiao Ren (China), Alarmes (DF), Alf Sá Maria Sabina & a Pêia e a banda Rocca de Fortaleza (CE).

Formada em 2016 por Thuyan Santiago (vocal), Francisco Vasconcelos (guitarra), Arnoldo Ravizzini (bateria) e Álvaro Rodrigues (baixo), a banda TORO vem ganhando cada vez mais destaque no cenário independente. Como reflexo desse sucesso, eles foram convidados pelo festival Indie Week para fazer três apresentações no Canadá, na cidade de Toronto.

Desde sua formação, a Toro tem demonstrado um alto comprometimento em se manter sempre criando e tocando: em 2017,  soltaram o clipe sombrio do single “Luz Vermelha”, que soma atualmente mais de 12 mil visualizações no YouTube. Logo em seguida lançaram o EP homônimo de estreia, que, com sua forte influência do stoner rock, já acumula milhares de reproduções nas plataformas de streaming. Aproveitando a força que veio com o lançamento das seis faixas, embarcaram em uma série incansável de show, fazendo mais de 30 apresentações por várias cidades do Distrito Federal para divulgar o álbum.

SERVIÇO

Local: Bourbon Street Music Club
Endereço: Rua dos Chanés, 127 – Moema
Horário de Abertura: 20h30
Ingressos: R$35 (1º lote) | R$45 (2º lote)
Censura: 16 anos

Garotos do Ben & Vivi Sader: 55 anos de carreira de Jorge Ben Jor inspira tributo de amigos

Da esq. para a dir, Leonard Ben, Gabriel Oliveira e Vivi Sader. Foto: Afonso Cavalcante

Com releituras de clássicos do artista, projeto coincide com o lançamento de um livro de poemas influenciados pela escrita intuitiva do Babulina

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Além do fato de se conhecerem desde a infância, quando cursaram em um mesmo colégio o Ensino Fundamental, os amigos Leonardo Calderoni, Gabriel Oliveira e Vivi Sader também têm em comum a paixão pela grande arte de Jorge Ben Jor.

Patrimônio da música brasileira desde 1963, quando lançou, pela Philips, Samba Esquema Novo, seu clássico álbum de estreia, o cantor e compositor carioca completa, em 2018, 55 anos de carreira. A efeméride especial levou o trio de amigos a idealizar um tributo intimista ao ídolo. Recentemente, Calderoni, poeta, Oliveira, cantor e compositor, e Sader, cantora e compositora, divulgaram as primeiras peças do projeto intitulado Garotos do Ben & Vivi Sader: Jorge Anjo 55.

São duas releituras: Meus Filhos, Meu Tesouro, do álbum África Brasil, que ganhou novos título e intertítulo, Meus Filhos, Meu Tesouro II (Seus Filhos/Seu Tesouro), e teve também a letra alterada em trechos em que o ponto de vista do compositor parece incoerente com questões urgentes, como o combate à misoginia (entenda a seguir, no depoimento de Vivi); e Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim), gravada pelo autor no álbum tropicalista de 1969 (informalmente conhecido como Flamengo) e primeiramente sucesso nas vozes de Gal Costa e Caetano Veloso na versão lançada no álbum epônimo daquele mesmo ano da cantora baiana.

Calderoni, que, não por acaso, incorporou o sobrenome artístico Ben, também acaba de lançar um livro de poesia inspirado no lirismo intuitivo do artista carioca. Ben Jorge Contra-Ataca O Suco de Orge e Outros Poemas (Novo Século Editora, 178 páginas), será lançado em São Paulo na próxima quarta-feira (5), às 19h, no hostel e bar Que Tal (saiba mais detalhes).

Em entrevista à reportagem do Showlivre.com, os três amigos falaram sobre a idealização do projeto, a escolha dos arranjos e a influência exercida por Ben Jor em seus trabalhos autorais. Sobre Ben Jorge Contra-Ataca O Suco de Orge e Outros Poemas, Leonardo Ben também explica como o livro é o ápice de um processo que o levou à superação de um quadro de depressão com a audição regular da discografia solar e positiva de Jorge Ben Jor.

Como se deu a ideia de fazer as releituras? Algum motivo especial para a escolha das duas primeiras regravações?
Leonardo Ben: A vontade de fazer uma homenagem aos 55 anos de carreira do Jorge surgiu na época em que a dupla Garotos do Ben lançou um primeiro single. Inspiração que, por sua vez, surgiu a partir de um poema do meu livro (a letra da música é um poema do primeiro capítulo, dedicado ao Jorge Ben). Depois de descartar várias ideias nesse sentido, cheguei à hipótese de fazer uma paráfrase da canção Meus Filhos, Meu Tesouro, que, até onde eu pude pesquisar, nunca havia sido regravada. A ideia que se consolidou foi, com uma nova letra, inverter o diálogo que Jorge trava com seus três “filhinhos” imaginários na canção original. Agora, seriam três dos seus filhos (de arte) que falariam para ele. Por isso que a canção chama Meus Filhos, Meu Tesouro II (Seus Filhos, Seu Tesouro), pois possui ao mesmo tempo um aspecto de continuidade e releitura como também de novidade. Ao invés de “Arthur Miró”, “Anabela Gorda” e “Jesus Correa”, somos nós mesmos (Leonardo Ben, Vivi Sader e Gabriel Oliveira), cantando, no diálogo com o Jorge. Já a outra canção, Que Pena, surgiu como um complemento à homenagem por ser um grande clássico que todos nós adoramos.

Como você antecipou, o livro com poemas inspirados na obra de Jorge é o ápice de um processo que envolveu a superação de uma depressão. Como se deu essa transição?
Leonardo Ben: Eu tenho uma relação com o Jorge Ben que é muito mais do que artística. Eu costumo dizer que é algo que está mais para espiritual mesmo, que influencia indubitavelmente o jeito como vejo o mundo e lido com a vida. Quando eu era mais novo, tinha uns 14 anos, minha irmã mais velha mostrou para mim o LP A Tábua de Esmeralda e, desde então, não passa praticamente uma semana sem que eu o escute pelo menos uma vez. Esse foi o ponto de partida para eu me aprofundar na obra do Jorge Ben e criar essa relação que tenho com ele hoje em dia. Na época em que estava profundamente deprimido e não conseguia fazer praticamente nada, uma das únicas coisas que me davam um alento era escutar o Jorge. Conforme eu fui me tratando com ajuda profissional e melhorando, eu fui mergulhando e revisitando ainda mais a sua discografia, assim como pesquisando sobre a sua vida. Quase que como uma consequência natural disso, foram surgindo as ideias de fazer poesias, que desdobraram na feitura do livro. As referências e inspirações que tenho no livro vão além do Jorge (no que se refere à poesia “pura”, meu grande norte é Fernando Pessoa e seus heterônimos). Mas o ponto de partida e a maior influência artística sempre foi e será o Jorge Ben. Até por isso adotei o sobrenome “Ben” como pseudônimo.

Como se deu o processo de escrita dos arranjos e a execução dos instrumentos nos registros?
Gabriel Oliveira: O processo se deu com muita simplicidade. Há muito tempo que toco essa música e já tinha a forma dela muito bem estruturada na minha mente. A partir disso fiz uma guia com voz e violão e fui acrescentando os outros instrumentos. Primeiro, faço a “fundação” com bateria e baixo, logo depois percussões e guitarras e flautas. Logo depois fiz a introdução. Por último as vozes. É um processo já bem internalizado por mim, já que uso essa ordem na maioria de minhas produções (acesse o canal do artista no YouTube e conheça o projeto Música ao Cubo³ em que ele executa nove partes de um mesmo arranjo de suas composições).

Qual a influência da estética musical de Jorge sobre sua faceta de cantor, instrumentista e compositor
Gabriel Oliveira: O Jorge tem influência muito forte no meu trabalho musical. Ainda adolescente passei a me interessar mais pela música brasileira e todas as suas misturas e foi por meio das músicas do Jorge que consegui fazer uma pesquisa mais profunda. Ele foi, pra mim, o eixo, o ponto central que ligou bossa nova, samba, tropicália, jovem guarda e tantos outros ritmos. Tudo o que eu ouvi de música brasileira por algum tempo era “meio Jorge Ben” de alguma maneira. Além disso a temática das letras me ajudou a me identificar com e amar ainda mais a cultura popular brasileira. Esteticamente falando, o lance da mão direita suingada do Ben passou direto pra mim, quase por osmose. Assim que comecei a tirar as músicas, além de decorar os acordes eu também fazia questão de decorar as batidas exatamente iguais. Primeiro no violão com Samba Esquema Novo, depois na guitarra copiando África Brasil. Como compositor, a liberdade métrica que ele propõe sempre me traz uma alternativa a letras mais desafiadoras. Essa liberdade métrica acaba refletindo em belas e diferenciadas melodias que também influenciaram minha maneira de cantar.

Ouça a releitura de Meus Filhos, Meu Tesouro, Meu Futuro

Como se deu o processo de extrair o melhor do encontro das três vozes?
Vivi Sader: Olha, achar o melhor tom para três pessoas cantando junto não é coisa fácil. Apesar disso, o processo de gravação foi super gostoso, conseguimos um ambiente agradável e silencioso, em que os três estivessem confortáveis. Num primeiro momento, conversamos sobre o projeto, gravamos guias nos tons que achávamos serem os melhores para os três e, na prática, acabou sendo um pouco diferente, como tudo na vida. Descemos o tom de Seus Filhos, subimos o tom de Que Pena. Tivemos que mudar um pouco as coisas ao longo do processo para garantir encontrar a melhor composição entre as três vozes. Entre encontros, gravações, chás e regravações, acho que funcionou muito bem. Fiz o Ensino Fundamental na mesma sala com Leo e Gabriel, acho que a intimidade entre nós sempre existiu, e em processos como esse você precisa dizer que alguma coisa não ficou tão boa, que precisa melhorar aqui ou ali, apontar defeitos é difícil, mas acho que tudo fluiu naturalmente. Foi delicioso fazer parte disso e o resultado tem agradado a todos.

Como é a relação de vocês com a música de Jorge Ben Jor?
Leonardo Ben: Minha relação com a música do Jorge Ben vai muito além do interesse artístico, é algo quase espiritual mesmo. Fã e profundo admirador eu sou de Chico, Caetano, Gil e tantos outros. Jorge Ben é outra coisa. Para mim, escutar Jorge Ben é mais ou menos a mesma coisa que rezar todos os dias para uma pessoa muito religiosa. É parte constituinte de mim, já incorporada na minha vida e rotina.

Gabriel Oliveira: A música de Jorge Ben Jor esteve presente na minha vida desde a adolescência e permanece nela desde então. Foi a minha introdução à música brasileira e é uma obra que permaneço descobrindo a cada dia que passa. Ele é com certeza o primeiro artista que penso quando vou tocar espontaneamente em uma festa ou reunião e o efeito é infalível: todo mundo cai na dança e canta junto. A música dele com certeza faz parte da minha em muitas maneiras, mas principalmente no suingue tropical. Ele sempre estará na minha lista de artistas favoritos por sintetizar tão bem os assuntos e os ritmos que constroem esse país tropical, tão rico e diverso.

Vivi Sader: Jorge Ben é sem dúvida um gênio e sua discografia será eterna. Minha relação com ele é de fã absoluta versus celebridade inatingível. Às vezes me refiro a ele como se estivesse em outro plano, de tão mito intocado está formada a figura dele dentro de mim. Ainda assim, confesso, há pouco menos de um ano estive num show dele, em um festival e algo me incomodou. Ele era a atração principal e havia quatro mil pessoas em volta do palco, maior clima lindo, estava chovendo enquanto ele cantava Chove Chuva, e a galera toda pulando na chuva sem medo. No final do show, ele tocou a música Gostosa e pediu que só mulheres subissem no palco… Umas 30, 40 mulheres subiram dançando, enquanto ele olhava para todas e cantava: “Gostosa! Gostosa! Gostosa!”. Sem querer me peguei avaliando aquilo como algo negativo, porque achei, em pleno 2018, ofensivo às garotas e também achei chato que homens não puderam subir. De alguma forma, pensei: machista! Mas na sequencia me corrigi, soube que era ele, cantando uma música que foi composta em outro contexto histórico, em outro momento de mundo, em que isso era ok, e o perdoei dentro do meu sentimento. Nesse sentido, foi legal que na sequência o Leo me chamou para participar do projeto com uma proposta de releitura de Meus Filhos, Meu Tesouro, canção que, entre outras coisas, toca nessa questão. Se na música original, lá em 1976, a “Anabela Gorda” queria ser “dona de casa atuante ou mulher de milionário”, nessa versão de 2018, eu canto que “não vou ser dona de casa atuante nem mulher de milionário” mas “vou ser bela cantante e não dar trela pra otário”. Uma feliz coincidência, que de qualquer jeito não muda o que sinto por esse grande artista, que merece todas as homenagens. Jorge, eu te amo!

MAIS
Ouça a releitura de Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim) 

Leia Carlos, Anjo (de) 02, um dos poemas de Ben Jorge Contra-Ataca O Suco de Orge e Outros Poemas, dedicado a Jorge Ben Jor e Carlos Drummond de Andrade

Carlos, Anjo (de) 02
(Leonardo Ben)

Carlos não é desse mundo
Que parece meio perdido
Sem nenhum sobressalto
De uma flor num asfalto

Carlos era sábio como Ben
Pois também falava de flores
E fazia, amiúde, dos versos também
Cavalaria anti-todas as dores

A Jorge eu sempre cortejo
Porque é igual ao santo;
A Carlos o mesmo tratamento
Pois é divino como o anjo

 

Trajetória de Vespas Mandarinas vira documentário

‘Vespas’ é o nome do novo minidocumentário que conta a trajetória de Vespas Mandarinas (Foto: Divulgação/ Maria Fernanda)

Lançamento antecipa uma série de novidades que o grupo prepara para os próximos meses

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“VESPAS” é o nome do mini documentário produzido pelos paulistas da banda Vespas Mandarinas. Em pouco mais de dez minutos, o material, divulgado na última sexta-feira, dia 30/11, revela a trajetória de quase uma década do grupo, liderado pelo compositor e vocalista Thadeu Meneghini.

Trazendo ao público um pouco mais sobre quem são e como chegaram até aqui, “VESPAS” destaca importantes momentos da carreira. “Esse documentário vem pra mostrar que não vivemos mais no mesmo mundo em que vivíamos, mas sobrevivemos a tudo, toda e qualquer adversidade, porque nunca seguimos fórmulas pré-estabelecidas. A gente nunca acreditou nos preceitos que fazem uma banda ter que atuar como uma empresa, por exemplo, e em todas as bobagens que vieram junto com ideias cretinas desse tipo. Muito do que se acreditava, hoje já é percebido como uma grande fraude. Passamos da “hora da verdade”, e muitas das teorias, para alcançar o grande público ou o sucesso, que não serviram pra nada, já não enganam mais ninguém: nem os artistas e nem o público. Por isso, fizemos um documentário pra contar e dar continuidade na história dessa banda de verdade, que tem suas raízes e cicatrizes. Mesmo num presente cheio de dúvidas, ainda acreditamos num futuro brilhante e, principalmente, nas músicas que falam desse futuro…   A gente ainda se importa com a música e com a poesia. É isso o que importa e o que vai ficar”, ressalta Thadeu. 

Assista:

 

“Animal Nacional” (2013), primeiro disco lançado pela Deckdisc foi indicado a “Melhor Álbum de Rock” no Grammy Latino, o projeto emplacou cinco singles na rádio rock paulistana 89FM, sendo dois deles os mais pedidos do ano pelos ouvintes. Entre os sucessos, “Santa Sampa”, parceria de Thadeu com o célebre poeta e compositor Bernardo Vilhena, e “Não Sei o Que Fazer Comigo” uma versão para a canção dos uruguaios “El Cuarteto De Nos”.

Cinco anos depois, chegou “Daqui Pro Futuro” (2017) também pela Deckdisc. Desta vez, com composições de apelo pop, mas conteúdos liricamente ricos e cheios de reflexão nas letras de poetas como: Marcelo Yuka, Leoni, e Adalberto Rabelo. O disco contava ainda com uma lista enorme de participações especiais, tendo como destaque: Samuel Rosa, Edgard Scandurra, Luiz Bueno (Duofel), Tagore, PJ (JOTA QUEST), Carlos Malta e Marcos Suzano, entre outros.

Em outubro deste ano, Vespas Mandarinas apresentou um show inédito no Estúdio Showlivre. A apresentação completa, assim como todos os clipes separados, está disponível em nosso canal no YouTube. Veja: