Cadastre-se / Entrar
116

PAUTA
Informação e música em harmonia

A escalada do LSD nos EUA em um dos clássicos de Tom Wolfe

O ônibus psicodélico utilizado pelo escritor Ken Kesey e os Merry Pranktesrs para difundir o LSD nos EUA. Foto: Reprodução / Twitter

Utilizado em pesquisas psiquiátricas e como substância de uso recreativo em comunidades alternativas, o ácido lisérgico impulsionou a contracultura ao redor do mundo

Postado em 21 de setembro de 2018 por

Morto em 14 de maio de 2018, aos 88 anos, em Nova York, por consequência de uma infecção generalizada, o jornalista e escritor norte-americano Tom Wolfe marcou a história da imprensa do século 20 como um dos pais do chamado New Journalism (Novo Jornalismo), movimento também conhecido como Jornalismo Literário.

Difundido por repórteres e cronistas geniais como Wolfe, Norman Mailer, Truman Capote e Gay Talese, o novo gênero foi estabelecido e consagrado a partir de matérias de fôlego, ensaios e livros-reportagens com narrativas que adotavam os melhores recursos estilísticos do universo ficcional sem abrir mão da premissa jornalística de retratar a verdade com imparcialidade.

Ao lançar mão da subjetividade para tecer retratos da realidade sociopolítica dos Estados Unidos em detrimento da objetividade pragmática do jornalismo factual, autores como Wolfe, Talese, Capote e Mailer exerceram papel análogo ao dos melhores historiadores de seu tempo no cumprimento de documentar as transformações comportamentais experimentadas pela sociedade norte-americanal no século 20.

Nascido em Richmond, no estado da Virginia, cansado das perspectivas medianas de sua cidade natal, depois de graduar-se em Priceton, Nova Jersey, e defender um doutorado em Estudos Americanos na Universidade de Yale, em Connecticut, Wolfe migrou para a capital federal dos Estados Unidos em 1959. Por lá, começou a fazer história no jornal The Washington Post. Em 1962, partiu de vez para Nova York, onde trilhou caminho ainda mais ascendente no The New York Herald Tribune.

Em 1963, em colaboração para a revista Esquire, Wolfe causou frisson na imprensa local ao publicar um ensaio divisor, pela estética e densidade incomuns com que retratou dois personagens símbolos da obsessão norte-americana por automóveis, Ed “Big Daddy” Roth, considerado um dos pais da cultura hot rod de carros envenenados e criador do personagem Rat Fink, e George Barris, designer de automóveis que assinou o antológico projeto do primeiro Batmóvel.

Em 1965, o ensaio – intitulado The Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby (algo como O Carrão de Racha Floco de Tangerina Cor de Doce) –  daria nome ao primeiro livro de Wolfe, uma compilação de suas primeiras reportagens, perfis, artigos e ensaios – na verdade, o título é uma abreviação do original, ainda mais extenso e permeado de onomatopeias: There Goes (Varoom! Varoom!) That Kandy-Kolored (Thphhhhhh!) Tangerine-Flake Streamline Baby (Rahghhh!) Around the Bend (Brummmmmmmmmmmmmmm)….

Entre outros temas, Wolfe também retratou a corrida espacial norte-americana (em Os Eleitos, adaptado para o cinema por Philip Kaufman e protagonizado pelo também escritor Sam Shepard) e a dinastia yuppie consolidada na Nova York dos anos 1980 (no romance A Fogueira das Vaidades, também vertido para a telona, com direçãodo mestre Brian De Palma e Tom Hanks no papel principal).

Sem se curvar ao critério de imparcialidade como um dogma, o jornalista jamais se privou de expressar sua acidez no retrato de alguns de seus personagens. Caso notório dessa prática é o ceticismo com que narrou a adesão de parte da elite norte-americana a pautas progressistas como o movimento Black Panther, tema de Radical Chic, ensaio de 1970 centrado em um jantar oferecido pelo compositor e maestro Leonard Bernstein para disseminar apoio à causa dos militantes radicais dos direitos civis dos negros.

Empatia diametralmente oposta à usual acidez de Wolfe foi manifestada em um de seus maiores clássicos, O Teste do Ácido do Refresco Elétrico, um catatau de quase 500 páginas em que ele retratou a tresloucada itinerância de um grupo de jovens batizado de Merry Pranksters (em tradução livre, “festivos gozadores”).

Liderada pelo escritor Ken Kesey, a trupe pretendia difundir o consumo do LSD como agente transformador da sociedade norte-americana por meio da “expansão da consciência”, experiência batizada pro Kesey de “testes do ácido”. A excursão com propósito de expansão deveria culminar em um filme, mas essa foi apenas uma das intenções iniciais que sofreram desvio de rota durante a epopeia mentecapta dos Pranksters (em 2011, no entanto, registros da viagem culminaram no documentário Magic Trip: Ken Kesey's Search For a Kool Trip, de Alex Gibney e Alison Ellwood; informação posteriormente encaminhada a este repórter pelo amigo Carlos Minuano, também jornalista – veja o trailer do filme).

Cronologia lisérgica

Em um álbum falado, homônimo e lançado em 1966, o psicanalista Timothy Leary cunhou a expressão “turn on, tune in & drop out” (algo como “se ligue, entre em sintonia e caia fora”). No ano seguinte, a sentença reverberou novamente com amplitude, em discurso proferido por Leary na abertura do Human Be-In, encontro que reuniu mais de 30 mil hippies no Golden Gate Park, em San Francisco.

O bordão provocativo foi então adotado por jovens de todo o mundo para resumir os ideais libertários da contracultura e a experiência transcendental propiciada pelo uso da substância cientificamente conhecida como Ácido Lisérgico Dietilamida, o famigerado LSD, sintetizado e "descoberto" acidentalmente em 1943 pelo cientista Albert Hoffmann, durante um trivial passeio de bicicleta.

Na transição de 1967 para 1968, veio o chamado Verão do Amor, e o uso de LSD fugiu de controle. Milhares de hippies, de costa a costa dos Estados Unidos, passaram a atuar como agentes multiplicadores da cultura lisérgica difundida por Leary. Situação que alardeou nas autoridades americanas a urgência de dar logo um fim à viagem da turma (ou não, parafraseando Caetano Veloso).

ken-kesey-1024x737-600x432 A escalada do LSD nos EUA em um dos clássicos de Tom Wolfe

O psicanalista Timothy Leary (à esq.) e o escritor Neal Cassady retratados, no interior do ônibus, pelo poeta Allen Ginsberg, em 1964. Foto: Reprodução / Twitter

 

Até 1966, com o aval científico de pesquisadores como Leary, que primeiramente fez experimentos fechados em alguns de seus pacientes, o LSD foi vendido em farmácias dos Estados Unidos com a simples exigência de prescrição médica para fins psiquiátricos. A substância era distribuída em todo o país pela indústria farmacêutica Sandoz (liberação que, aliás, inspirou A Girl Named Sandozcomposição psicodélica da banda The Animals, ouça).

Mesmo com a substância banida das prateleiras das farmácias, o LSD continuou a ser difundido em círculos clandestinos por meio de laboratórios químicos caseiros e traficantes que forneciam a droga embebida em cartelas multicoloridas, micropontos e em soluções líquidas.

a945959dc5853673c383c237a7d4a858-600x400 A escalada do LSD nos EUA em um dos clássicos de Tom Wolfe

O ônibus original de Kesey sendo preparado para uma apresentação musical e mais um teste de LSD. Foto: Reprodução / Twitter

 

Nos dias inaugurais e festivos de liberação, um experimento coletivo divisor para o movimento migratório feito pelo LSD, que saiu do ambiente científico para tornar-se combustível de transe generalizado da geração Flower Power, foi tema de O Teste do Ácido do Refresco Elétrico, publicado por Wolfe em 1968.

No livro-reportagem o iconoclástico repórter, notório por seus trajes brancos, narra a sucessão de aventuras vividas na estrada pelo Merry Prankters. Liderados pelo escritor Ken Kesey, autor do clássico Um Estranho no Ninho, os Pranksters se reuniram em 1962, para, entre outras pirações, dar início a experiências embrionárias de uso coletivo e recreativo de LSD em uma comunidade alternativa sediada em uma chácara em La Honda, na Califórnia, comprada por Kesey com os direitos autorais da adaptação do livro para o teatro na Broadway.

Dois anos mais tarde, em junho de 1964, os Pranksters empreenderam uma viagem sem precedentes – em duplo sentido literal: Kesey decidiu comprar um velho ônibus escolar fabricado em 1939, fez nele uma série de pinturas psicodélicas e adaptações, como incluir um sistema de áudio para que os músicos da trupe pudessem “transar” um som no teto do veículo, e caiu na estrada com sua trupe.

Tendo o neologismo “furthur” como destino (possível trocadilho entre as palavras além e futuro), municiado de muito LSD líquido diluído em jarras de suco de laranja, Kesey também escalou para alternar o volante do coletivo o escritor beat Neal Cassady, autor de O Primeiro Terço e inspirador do personagem Dean Moriarty, de On The Road, a obra-prima de Jack Kerouac.

tom-wolfe-600x338 A escalada do LSD nos EUA em um dos clássicos de Tom Wolfe

O escritor e jornalista norte-americano Tom Wolfe. Foto: Reprodução / Twitter

O drop out de Kesey e seus discípulos lisérgicos tinha um propósito bem definido: cruzar o máximo de cidades ao sul dos Estados Unidos e identificar voluntários dispostos a realizar os chamados “acid tests” (daí o “teste do ácido” no título do livro de Wolfe).

Ao documentar rotas da acid trip, Wolfe fez um dos relatos definitivos para se compreender a ascensão do psicodelismo e do desbunde que culminou na disseminação global da cultura hippie da segunda metade dos anos 1960. De quebra, no âmbito da música, também escancarou a influência do rock lisérgico da cena de San Francisco, de bandas como Grateful Dead, Jefferson Airplane e Quicksilver Messenger Service, para artistas europeus como os Beatles, os Rolling Stones, o The Who e o Pink Floyd.

Obrigatório para os amantes do bom jornalismo, O Teste do Ácido do Refresco Elétrico reitera o papel da contracultura como agente de transformação social durante os anos 1960, a década que, se não conseguiu mudar o mundo, inquestionavelmente impactou o porvir com o exemplo de jovens que defenderam suas paixões, suas convicções e anseios com todas as garras, com o coração pleno de valores fraternais e os sentidos abertos e aflorados para o novo. No Brasil, O Teste do Ácido do Refresco Elétrico foi publicado pela Companhia das Letras, e pode ser facilmente encontrado.

Em 2014, em celebração aos 50 anos da jornada lisérgica iniciada em 17 de junho de 1964 por seu pai, falecido em 2001, Zane Kesey, filho de Ken e Norma Faye Haxby, que era um garoto de apenas 3 anos quando ajudou a trupe dos Pranksters a colorir o velho ônibus, decidiu cruzar algumas estradas dos Estados Unidos ao longo de 75 dias com uma réplica do veículo.

A nova expedição, bem distante da porralouqice original, foi viabilizada por meio de uma vaquinha online, com colaborações a partir de US$ 200, aderida por simpatizantes do espírito transgressor de Kesey, neófitos da contracultura, hippies nostálgicos dos tempos de loucura, além de fãs de primeira hora do Grateful Dead, que "transou um som" – para usar uma expressão da época – no desbundado busão quando ainda viviam dias embrionários e atendiam pela alcunha The Warlocks.

A excursão comemorativa também rendeu um documentário, dirigido por Lindsay Kent e Colby Rex O'Neill, que ganhou o nome de Going Furthur (veja abaixo o trailer) e contou com a presença de pranksters originais, como Ken Babbs, espécie de guru da trupe, George Walker, Wavy Gravy e Lee Quarnstrom.

MAIS

Ouça uma seleção de artistas brasileiros influenciados pela estética do psicodelismo. Na compilação do repórter Gabriel Alves, apresentamos 30 canções disponíveis no acervo do Spotify, além de registros exclusivos do Showlivre. Inscreva-se em nosso canal e acesse mais de 5 mil gravações derivadas de nossas transmissões ao vivo.

 

“Eu espero que em 2019 eu cante com a Beyoncé”, diz Mc Soffia na SIM SP

MC Soffia foi uma das integrantes da roda de conversa sobre a construção da imagem do artista nas redes sociais. (Foto: Divulgação)

A rapper de 14 anos de idade foi uma das convidadas da roda de conversa sobre o cuidado com a imagem nas redes sociais

Postado em 08/12/2018 por

Com apenas 14 anos de idade, MC Soffia é uma das representantes mais populares do rap feminino nacional. Nesta edição da Semana Internacional de Música (SIM), a cantora foi uma das integrantes da roda de conversa a respeito dos cuidados (e construção) com a imagem do artista nas redes sociais e, além de mostrar ser extremamente consciente apesar da idade, compartilhou com o público alguns de seus desejos profissionais para o próximo ano. “Eu espero que em 2019 eu cante com a Beyoncé“, disse.

Embora o assunto da mesa era os cuidados para construir uma boa imagem na internet, a jovem contou que ela é apenas uma criança como todas as outras e que sua presença nas redes sociais não é tão planejada, mas sim algo mais natural. “Eu sempre sou Soffia, mas tento mostrar maturidade”, refletiu. A rapper ainda contou que prova dessa naturalidade são algumas situações características de criança e que ela as vezes precisa passar nos palcos. “Já cantei com o  nariz sangrando porque bati o skate”, brincou.

SIM-SP_PietáRivas "Eu espero que em 2019 eu cante com a Beyoncé", diz Mc Soffia na SIM SP

(Foto: Pietá Rivas/Showlivre)

Em contrapartida, Soffia demonstrou ser madura em relação ao futuro de sua carreira. “No futuro, eu quero estar em vários lugares. Não quero ficar presa em uma coisa só. Eu quero atuar, cantar, dançar….”, contou. A preocupação da rapper com eventos que ainda estão para acontecer não anula sua participação e movimentação em coisas do presente! Soffia dedica suas letras e popularidade para falar sobre o empoderamento da menina negra e criar coletivos para discussão das questões acerca do tema com meninas de sua mesma faixa etária. “Adulto não entra”, disse.

Em setembro de 2015, quando ainda tinha apenas 11 anos de idade, MC Soffia foi uma das atrações do Estúdio Showlivre. A apresentação está disponível, na íntegra, em nosso canal no YouTube. Confira:

Jay Vaquer e A Banda Mais Bonita Da Cidade se apresentam na Jai Club

Shows, que acontecem nos dias 8 e 9 de dezembro, comemoram os três anos de casa e ingressos já estão à venda

Postado em 07/12/2018 por

A Jai Club recebe no próximo final de semana, dois grandes nomes da música brasileira.  No sábado (8), o cantor e compositor carioca Jay Vaquer chega à São Paulo para o show de seu novo álbum, “Ecos do Acaso e Casos de Caos”, recém indicado como melhor álbum de Rock de Língua Portuguesa ao 19° Grammy Latino. Já no domingo (9), os curitibanos d´A Banda Mais Bonita da Cidade, donos do hit “Oração”, desembarcam na cidade para apresentar a turnê de seu mais novo álbum “De cima do mundo eu vi o tempo”.

Com 18 anos de carreira e 10 álbuns lançados, Jay Vaquer promete apresentar ao publico da capital, músicas de seu mais novo trabalho e de todos os outros CDs lançados até aqui em sua turnê “Tourbilhão Voraz”. “É sempre bom tocar em São Paulo. Cada show é único, tanto na entrega, quanto na energia. Será uma apresentação grandiosa e trarei o melhor dos meus 18 anos de carreira. Estou chegando, São Paulo”, promete Jay Vaquer.

Seguindo no mesmo clima, A Banda Mais Bonita da Cidade, apresentará canções de todos os trabalhos lançados até hoje. “Toda vez que tocamos em São Paulo é como se estivéssemos em casa. Preparamos um show que contemplará todas as fases d’ A Banda até o nosso mais novo trabalho (De cima do mundo eu vi o tempo),” comenta Uyara Torrente, vocalista.


Serviço: Jay Vaquer em São Paulo | Jai Club

Data: 08 de Dezembro
Abertura da casa: 18h
Horário do show: 19h40

Endereço: Rua Vergueiro, 2676 – Vila Mariana – Prox. Metro Ana Rosa
Preços: R$30,00 – 1° Lote | R$40,00 – 2° Lote |R$50,00 – 3° Lote
Venda Online:
https://pixelticket.com.br/eventos/2740/jay-vaquer-em-sp

Censura: Livre

Serviço: A Banda Mais Bonita em São Paulo | Jai Club

Data: 09 de Dezembro
Abertura da casa: 17h
Horário do show: 19h30
Banda Convidada: Eu, trovador
Endereço: Jai Club – Rua Vergueiro 2676 – Vila Mariana – Prox. Metro Ana Rosa
Preços: 1º Lote R$30,00 | 2º Lote R$40,00 |

Vendas online: https://goo.gl/f36FjX
Censura: Livre
Mais Informações (tel/e-mail): 98013-0425 | contato.jaiclub@gmail.com

“Enquanto eu puder, dou predileção às profissionais mulheres e negras”, diz Luedji Luna

Luedji Luna fala sobre a participação da mulher negra na música durante a SIM SP. (Foto: Showlivre.com)

Cantora é um dos destaques de roda de conversa promovida pela SIM SP sobre o conservadorismo na música

Postado em por

Esta quinta-feira (6), segundo dia de eventos da Semana Internacional de Música (SIM), movimentou a comunidade de artistas e investidores do Brasil na capital paulista. Entre palestras e workshops tratando de diferentes assuntos, o Centro Cultural São Paulo recebeu uma roda de conversa composta por fortes nomes da música, como Luedji Luna, Tulipa Ruiz e Mel para falar sobre o movimento no qual a música tem o poder de desafiar o conservadorismo e os velhos modelos de negócio.

Conversadorismo_música_SHOWLIVRE "Enquanto eu puder, dou predileção às profissionais mulheres e negras", diz Luedji Luna

A cantora Luedji Luna, dona de faixas fortes como ‘Cabô’ e ‘Banho de Folhas’, aproveitou o espaço para compartilhar com o público questões características de sua trajetória na música. Por ser mulher, negra, periférica, a cantora contou algumas das dificuldades (ideológicas e físicas) de ser uma cantora independente e precisar administrar todas as coisas e pensar em diversos aspectos de como planejar, majoritariamente sozinha, a sua carreira.

Num pensando de como as coisas andam para ela, Luedji contou que a internet é o grande responsável por seu crescimento profissional. “Talvez eu não tivesse essa autonomia e reconhecimento se não fosse pela internet”, refletiu.

A cantora, que infelizmente enfrenta o racismo camuflado do país, lamenta que ainda é muito mais complicado para a população negra (maioria no País), especialmente mulheres, para conquistas posições de destaque em todos os setores da sociedade, inclusive na música. “Enquanto eu puder, eu dou predileção ás profissionais mulheres e negras”, disse.

A MPB de Luedji Luna foi apresentada no Estúdio Showlivre. Confira a apresentação completa:

 

A conversa passeou sobre as questões e refletindo sobre como o mercado independente pode quebrar a hegemonia presente na cena. “Tem que ter espaço pra todo mundo”, disse Ava Rocha. “A gente ta lutando contra a gordofobia, a liberdade do corpo, liberdade de gênero,… principalmente nesse momento”, concluiu.

Mel, ex-integrante da Banda Uó, antes de encerrar a conversa, pediu para que a comunidade da música tomasse cuidado com a hipocrisia e que, embora a reflexão da igualdade de gênero e racial seja algo recorrente, o mercado ainda é fechado, machista, transfóbico. “A gente precisa tomar cuidado e realmente abrir espaço. As vezes a galera (fãs) está amando e o pessoal da música (mercado) barrando as coisas por conta de seus gostos pessoais. Somos olhadas com um olhar ruim em eventos mais conservadores. Hipocrisia existe”, desabafou, encerrando a conversa.

Enquanto ainda dava sua voz à Banda Uó, Mel também passou pelo Estúdio Showlivre. Relembre:

Plutão Já Foi Planeta encerra série de showcases diurnos na SIM SP

Plutão Já Foi Planeta foi a banda escolhida para encerrar o primeiro dia de showcases diurnos da SIM. (Foto: Pietá Rivas/Showlivre)

Formada em Natal, banda encerrou o primeiro dia de showcases Diurnos no Centro Cultural São Paulo

Postado em 06/12/2018 por

O segundo dia da Semana Internacional de Música (SIM) chegou ao fim! Nesta quinta-feira (6), a banda Plutão Já Foi Planeta – formada na capital de Rio Grande do Norte – foi a escolhida para encerrar a programação de showcases diurnos promovidos no Centro Cultural São Paulo, a casa que concentra o maior número de eventos da programação que vai até dia 9, próximo domingo.

Com cerca de vinte minutos de apresentação, o grupo mostrou um pouco do porquê se tornou um dos nomes mais populares da cena potiguar e apresentou faixas de seu repertório acompanhados de uma bandeira apoiando a causa LGBTQ, que, segundo a vocalista, é uma bandeira do grupo. “Tem que falar a respeito. Principalmente nesse momento pós-eleição”, disse.

Já no começo da apresentação, Natália Noronha – vocalista do grupo – convidou o publico na sala xxxx a juntar-se e assumir o vocal num coro participativo. Embora já tivesse enfrentado uma agenda lotada de apresentações, o público não deixou que o cansaço dominasse o CCSP e terminou a maratona de apresentações com animação e empolgados para continuar a participar de eventos pela cidade na exaltação da música brasileira e internacional.

PJFP_SHOWLIVRE Plutão Já Foi Planeta encerra série de showcases diurnos na SIM SP

No final da apresentação, numa conversa exclusiva com o showlivre.com, os integrante da banda revelaram que esta foi a primeira vez se apresentando no Centro Cultural São Paulo e que isso era um grande sonho dos integrantes. “A gente acha muito legal está no centro onde as coisas estão acontecendo”, falaram.

A respeito do repertório, os integrantes brincaram que foi resultado de uma discussão de meia hora entre os membros para chegar num consenso de como ter uma presença marcante em tão pouco tempo. (E funcionou!)

Além de Plutão Já Foi Planeta, a agenda do primeira dia de Showcases Diurnos da SIM SP também contou com apresentações de nomes como Julia Branco, Alfonsina, Catavento e Attooxxa.

Plutão Já Foi Planeta é uma banda super-parceria do Showlivre.com. Em setembro de 2016, o grupo apresentou faixas do álbum Daqui Pra Lá (2014) no Estúdio Showlivre. Assista a apresentação completa:

PrimeiraMente grava seu primeiro DVD ao vivo no Palco Showlivre

PrimeiraMente grava seu primeiro DVD no Palco Showlivre, dia 14/12. (Foto: Divulgação)

Show acontece na sexta-feira (14), em São Paulo, e contará com participações de nomes como Georgia, Eloy Polemico e mais

Postado em 05/12/2018 por

Para comemorar o primeiro aniversário do álbum Na Mão do Palhaço, o grupo de rap paulista PrimeiraMente fará um show especial e comemorativo no Palco Showlivre, no dia 14 de dezembro, em São Paulo. A apresentação, além de celebrar as conquistas do disco, resultará no primeiro DVD/ álbum ao vivo da banda.

Formado por Leal, Gali, NP Vocal, Raillow e DJ Fire – cada um de um extremo de SP -, o PRMNT traz a essência das batalhas de MCs para apresentar mensagens e reflexões acerca de questões sociais e políticas em suas letras. Além disso, o grupo chama a atenção por sua originalidade de melodias diferenciadas em instrumentais de qualidade.

Intitulado Na Mão Do Palhaço, o segundo álbum do grupo foi lançado em Dezembro de 2017 e rendeu quatro singles/videoclipes para a discografia da banda.“O disco representou muito em vários aspectos para nós, pessoalmente e profissionalmente, principalmente pelo intervalo entre “A Um Passo do Precipício” lançado no fim de 2014 e o “Na Mão do Palhaço” lançado em 2017, quase 3 anos depois… Apesar de lançarmos diversos singles e hits, colaborações, nossos fãs esperavam ansiosamente pelo nosso novo trabalho.Com certeza o disco mais importante até agora da nossa carreira” , disse Daniel Raillow a respeito do disco.

Além das músicas de “Na Mão do Palhaço”, o setlist do show contará com diversos outros sucessos do grupo. Além de PrimeiraMente, esta edição do Palco Showlivre também contará com apresentações de nomes como GeorgiaEloy PolemicoCasa Loca 13SenaNegretti e Emiv.

Com promessa de grandes novidades para as próximas edições, o Palco Showlivre, no Espaço 555, tem como objetivo promover e registrar shows exclusivos na cidade de São Paulo, unindo música de qualidade à tecnologia do Showlivre.com e o charme característico da tradicional casa de shows. 

 

Palco Showlivre | PrimeiraMente
Data: 14/12/2018 (sexta)
Horário: a partir das 21hs
Vendas: TicketBrasil
Local: Espaço 555
Classificação: 18 anos
Av. São João, 555 – Centro – São Paulo SP
www.showlivre.com

Los Hermanos anuncia turnê em nove cidades do Brasil para 2019

Atração do Lollapalooza Argentina, Los Hermanos anuncia turnê pelo Brasil. (Foto: Reprodução/ Facebook Oficial)

Além de shows no Brasil, o grupo também anunciou ser uma das atrações da próxima edição do Lollapalooza Argentina

Postado em por

Um dos maiores sucessos dos anos 1990, a banda de rock alternativo Los Hermanos está de volta depois de quatro anos distante dos palcos! Em um anúncio oficial, o grupo revelou que, além do Lollapalooza Argentina, também está preparando uma série de shows no Brasil entre abril e maio para “matar a saudade e reencontrar os amigos e fãs”.

Inicialmente, são nove shows confirmados em nove cidades diferentes, sendo Salvador/BA (5/4), Fortaleza/CE (6/4), Recife/PE (12/4), João Pessoa/PB (13/4), Belo Horizonte/MG (26/4), Brasília/DF (27/4), Rio de Janeiro/RJ (4/5), Curitiba/PR (10/5) e São Paulo/SP (18/5).

A venda de ingressos para o público geral, de todas as apresentações, começa no próximo dia 10 de dezembro, no site oficial da Eventim. Valor das entradas pode variar entre R$50 e R$400.

‘Anna Julia’, o maior sucesso do grupo, foi lançado em 1999. O videoclipe oficial, publicado no canal da banda em março de 2011, conta com quase 10 milhões de visualizações. Relembre:

Anitta está em duas das 5 músicas mais reproduzidas do ano no Spotify

Anitta aparece em duas das cinco faixas mais populares do ano no Brasil. (Foto: Divulgação/ Warner Music)

Cantora é a única artista a ocupar duas posições do Top 5 anual, divulgado recentemente pela plataforma de streaming

Postado em 04/12/2018 por

Conforme o ano vai chegando ao fim, é normal que algumas retrospectivas sejam divulgadas. Nesta semana, a organização do Spotify – maior plataforma de streaming do mundo – aproveitou o clima e liberou alguns dos maiores nomes do ano e, na categoria das músicas mais populares, a cantora Anitta ocupou lugar de destaque: duas posições do Top 5 das mais tocadas no Brasil é ocupado pela dona de ‘Downtown’.

Considerada um dos nomes mais influentes do país e transitando entre o funk e a música pop, a cantora é dona da segunda música mais ouvida do ano. ‘Vai Malandra’, faixa que ocupa a vice-liderança, é uma parceria da cantora com nomes como MC Zaac, Maejor, Tropkillaz e DJ Yuri Martins e, na plataforma, conta com quase 150 milhões de reproduções.

No Youtube, o clipe oficial acumula mais de 315 milhões de visualizações.

 

O poder de Anitta não termina por aí! A terceira música mais reproduzida do ano também conta com sua participação. Intitulado ‘Ao Vivo e a Cores’, o single é uma parceria da cantora com a dupla Matheus & Kauan e se aproxima da marca de 95 milhões de reproduções no Spotify. O videoclipe oficial conta com mais de 170 milhões de visualizações.

 

Além disso, o TOP 5 também é formado por nomes como Jorge e Mateus, Kevinho, Simone e Simaria e Gustavo Lima. Confira:

1. Jorge & Mateus – Propaganda – Ao Vivo
2. Anitta Mc Zaac, Maejor, Tropkillaz, DJ Yuri Martins – Vai malandra
3. Matheus & Kauan, Anitta – Ao Vivo E A Cores
4. MC Kevinho, Simone & Simaria – Ta Tum Tum
5. Gusttavo Lima – Apelido Carinhoso

 

‘Propaganda’, o primeiro lugar da lista, conta com mais de 300 milhões de visualizações em seu videoclipe oficial. Confira:

 

Banda brasiliense TORO se apresenta na capital paulista

Toro é uma das atrações da SIM São Paulo (Foto: Thaís Mallon)

Show acontece dia 6 de dezembro no Bourbon Street e faz parte da programação da SIM São Paulo

Postado em por

A banda brasiliense TORO se apresenta dia 6 de dezembro no Bourbon Street, em São Paulo. O show faz parte da programação da SIM (Semana Internacional de Música de São Paulo) em uma noite de comemoração aos 20 anos do Festival Porão Do Rock, um dos maiores e mais importantes festivais de música independente do Brasil. Participam dessa noite junto com a TORO as bandas Wu Tiao Ren (China), Alarmes (DF), Alf Sá Maria Sabina & a Pêia e a banda Rocca de Fortaleza (CE).

Formada em 2016 por Thuyan Santiago (vocal), Francisco Vasconcelos (guitarra), Arnoldo Ravizzini (bateria) e Álvaro Rodrigues (baixo), a banda TORO vem ganhando cada vez mais destaque no cenário independente. Como reflexo desse sucesso, eles foram convidados pelo festival Indie Week para fazer três apresentações no Canadá, na cidade de Toronto.

Desde sua formação, a Toro tem demonstrado um alto comprometimento em se manter sempre criando e tocando: em 2017,  soltaram o clipe sombrio do single “Luz Vermelha”, que soma atualmente mais de 12 mil visualizações no YouTube. Logo em seguida lançaram o EP homônimo de estreia, que, com sua forte influência do stoner rock, já acumula milhares de reproduções nas plataformas de streaming. Aproveitando a força que veio com o lançamento das seis faixas, embarcaram em uma série incansável de show, fazendo mais de 30 apresentações por várias cidades do Distrito Federal para divulgar o álbum.

SERVIÇO

Local: Bourbon Street Music Club
Endereço: Rua dos Chanés, 127 – Moema
Horário de Abertura: 20h30
Ingressos: R$35 (1º lote) | R$45 (2º lote)
Censura: 16 anos

Garotos do Ben & Vivi Sader: 55 anos de carreira de Jorge Ben Jor inspira tributo de amigos

Da esq. para a dir, Leonard Ben, Gabriel Oliveira e Vivi Sader. Foto: Afonso Cavalcante

Com releituras de clássicos do artista, projeto coincide com o lançamento de um livro de poemas influenciados pela escrita intuitiva do Babulina

Postado em por

Além do fato de se conhecerem desde a infância, quando cursaram em um mesmo colégio o Ensino Fundamental, os amigos Leonardo Calderoni, Gabriel Oliveira e Vivi Sader também têm em comum a paixão pela grande arte de Jorge Ben Jor.

Patrimônio da música brasileira desde 1963, quando lançou, pela Philips, Samba Esquema Novo, seu clássico álbum de estreia, o cantor e compositor carioca completa, em 2018, 55 anos de carreira. A efeméride especial levou o trio de amigos a idealizar um tributo intimista ao ídolo. Recentemente, Calderoni, poeta, Oliveira, cantor e compositor, e Sader, cantora e compositora, divulgaram as primeiras peças do projeto intitulado Garotos do Ben & Vivi Sader: Jorge Anjo 55.

São duas releituras: Meus Filhos, Meu Tesouro, do álbum África Brasil, que ganhou novos título e intertítulo, Meus Filhos, Meu Tesouro II (Seus Filhos/Seu Tesouro), e teve também a letra alterada em trechos em que o ponto de vista do compositor parece incoerente com questões urgentes, como o combate à misoginia (entenda a seguir, no depoimento de Vivi); e Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim), gravada pelo autor no álbum tropicalista de 1969 (informalmente conhecido como Flamengo) e primeiramente sucesso nas vozes de Gal Costa e Caetano Veloso na versão lançada no álbum epônimo daquele mesmo ano da cantora baiana.

Calderoni, que, não por acaso, incorporou o sobrenome artístico Ben, também acaba de lançar um livro de poesia inspirado no lirismo intuitivo do artista carioca. Ben Jorge Contra-Ataca O Suco de Orge e Outros Poemas (Novo Século Editora, 178 páginas), será lançado em São Paulo na próxima quarta-feira (5), às 19h, no hostel e bar Que Tal (saiba mais detalhes).

Em entrevista à reportagem do Showlivre.com, os três amigos falaram sobre a idealização do projeto, a escolha dos arranjos e a influência exercida por Ben Jor em seus trabalhos autorais. Sobre Ben Jorge Contra-Ataca O Suco de Orge e Outros Poemas, Leonardo Ben também explica como o livro é o ápice de um processo que o levou à superação de um quadro de depressão com a audição regular da discografia solar e positiva de Jorge Ben Jor.

Como se deu a ideia de fazer as releituras? Algum motivo especial para a escolha das duas primeiras regravações?
Leonardo Ben: A vontade de fazer uma homenagem aos 55 anos de carreira do Jorge surgiu na época em que a dupla Garotos do Ben lançou um primeiro single. Inspiração que, por sua vez, surgiu a partir de um poema do meu livro (a letra da música é um poema do primeiro capítulo, dedicado ao Jorge Ben). Depois de descartar várias ideias nesse sentido, cheguei à hipótese de fazer uma paráfrase da canção Meus Filhos, Meu Tesouro, que, até onde eu pude pesquisar, nunca havia sido regravada. A ideia que se consolidou foi, com uma nova letra, inverter o diálogo que Jorge trava com seus três “filhinhos” imaginários na canção original. Agora, seriam três dos seus filhos (de arte) que falariam para ele. Por isso que a canção chama Meus Filhos, Meu Tesouro II (Seus Filhos, Seu Tesouro), pois possui ao mesmo tempo um aspecto de continuidade e releitura como também de novidade. Ao invés de “Arthur Miró”, “Anabela Gorda” e “Jesus Correa”, somos nós mesmos (Leonardo Ben, Vivi Sader e Gabriel Oliveira), cantando, no diálogo com o Jorge. Já a outra canção, Que Pena, surgiu como um complemento à homenagem por ser um grande clássico que todos nós adoramos.

Como você antecipou, o livro com poemas inspirados na obra de Jorge é o ápice de um processo que envolveu a superação de uma depressão. Como se deu essa transição?
Leonardo Ben: Eu tenho uma relação com o Jorge Ben que é muito mais do que artística. Eu costumo dizer que é algo que está mais para espiritual mesmo, que influencia indubitavelmente o jeito como vejo o mundo e lido com a vida. Quando eu era mais novo, tinha uns 14 anos, minha irmã mais velha mostrou para mim o LP A Tábua de Esmeralda e, desde então, não passa praticamente uma semana sem que eu o escute pelo menos uma vez. Esse foi o ponto de partida para eu me aprofundar na obra do Jorge Ben e criar essa relação que tenho com ele hoje em dia. Na época em que estava profundamente deprimido e não conseguia fazer praticamente nada, uma das únicas coisas que me davam um alento era escutar o Jorge. Conforme eu fui me tratando com ajuda profissional e melhorando, eu fui mergulhando e revisitando ainda mais a sua discografia, assim como pesquisando sobre a sua vida. Quase que como uma consequência natural disso, foram surgindo as ideias de fazer poesias, que desdobraram na feitura do livro. As referências e inspirações que tenho no livro vão além do Jorge (no que se refere à poesia “pura”, meu grande norte é Fernando Pessoa e seus heterônimos). Mas o ponto de partida e a maior influência artística sempre foi e será o Jorge Ben. Até por isso adotei o sobrenome “Ben” como pseudônimo.

Como se deu o processo de escrita dos arranjos e a execução dos instrumentos nos registros?
Gabriel Oliveira: O processo se deu com muita simplicidade. Há muito tempo que toco essa música e já tinha a forma dela muito bem estruturada na minha mente. A partir disso fiz uma guia com voz e violão e fui acrescentando os outros instrumentos. Primeiro, faço a “fundação” com bateria e baixo, logo depois percussões e guitarras e flautas. Logo depois fiz a introdução. Por último as vozes. É um processo já bem internalizado por mim, já que uso essa ordem na maioria de minhas produções (acesse o canal do artista no YouTube e conheça o projeto Música ao Cubo³ em que ele executa nove partes de um mesmo arranjo de suas composições).

Qual a influência da estética musical de Jorge sobre sua faceta de cantor, instrumentista e compositor
Gabriel Oliveira: O Jorge tem influência muito forte no meu trabalho musical. Ainda adolescente passei a me interessar mais pela música brasileira e todas as suas misturas e foi por meio das músicas do Jorge que consegui fazer uma pesquisa mais profunda. Ele foi, pra mim, o eixo, o ponto central que ligou bossa nova, samba, tropicália, jovem guarda e tantos outros ritmos. Tudo o que eu ouvi de música brasileira por algum tempo era “meio Jorge Ben” de alguma maneira. Além disso a temática das letras me ajudou a me identificar com e amar ainda mais a cultura popular brasileira. Esteticamente falando, o lance da mão direita suingada do Ben passou direto pra mim, quase por osmose. Assim que comecei a tirar as músicas, além de decorar os acordes eu também fazia questão de decorar as batidas exatamente iguais. Primeiro no violão com Samba Esquema Novo, depois na guitarra copiando África Brasil. Como compositor, a liberdade métrica que ele propõe sempre me traz uma alternativa a letras mais desafiadoras. Essa liberdade métrica acaba refletindo em belas e diferenciadas melodias que também influenciaram minha maneira de cantar.

Ouça a releitura de Meus Filhos, Meu Tesouro, Meu Futuro

Como se deu o processo de extrair o melhor do encontro das três vozes?
Vivi Sader: Olha, achar o melhor tom para três pessoas cantando junto não é coisa fácil. Apesar disso, o processo de gravação foi super gostoso, conseguimos um ambiente agradável e silencioso, em que os três estivessem confortáveis. Num primeiro momento, conversamos sobre o projeto, gravamos guias nos tons que achávamos serem os melhores para os três e, na prática, acabou sendo um pouco diferente, como tudo na vida. Descemos o tom de Seus Filhos, subimos o tom de Que Pena. Tivemos que mudar um pouco as coisas ao longo do processo para garantir encontrar a melhor composição entre as três vozes. Entre encontros, gravações, chás e regravações, acho que funcionou muito bem. Fiz o Ensino Fundamental na mesma sala com Leo e Gabriel, acho que a intimidade entre nós sempre existiu, e em processos como esse você precisa dizer que alguma coisa não ficou tão boa, que precisa melhorar aqui ou ali, apontar defeitos é difícil, mas acho que tudo fluiu naturalmente. Foi delicioso fazer parte disso e o resultado tem agradado a todos.

Como é a relação de vocês com a música de Jorge Ben Jor?
Leonardo Ben: Minha relação com a música do Jorge Ben vai muito além do interesse artístico, é algo quase espiritual mesmo. Fã e profundo admirador eu sou de Chico, Caetano, Gil e tantos outros. Jorge Ben é outra coisa. Para mim, escutar Jorge Ben é mais ou menos a mesma coisa que rezar todos os dias para uma pessoa muito religiosa. É parte constituinte de mim, já incorporada na minha vida e rotina.

Gabriel Oliveira: A música de Jorge Ben Jor esteve presente na minha vida desde a adolescência e permanece nela desde então. Foi a minha introdução à música brasileira e é uma obra que permaneço descobrindo a cada dia que passa. Ele é com certeza o primeiro artista que penso quando vou tocar espontaneamente em uma festa ou reunião e o efeito é infalível: todo mundo cai na dança e canta junto. A música dele com certeza faz parte da minha em muitas maneiras, mas principalmente no suingue tropical. Ele sempre estará na minha lista de artistas favoritos por sintetizar tão bem os assuntos e os ritmos que constroem esse país tropical, tão rico e diverso.

Vivi Sader: Jorge Ben é sem dúvida um gênio e sua discografia será eterna. Minha relação com ele é de fã absoluta versus celebridade inatingível. Às vezes me refiro a ele como se estivesse em outro plano, de tão mito intocado está formada a figura dele dentro de mim. Ainda assim, confesso, há pouco menos de um ano estive num show dele, em um festival e algo me incomodou. Ele era a atração principal e havia quatro mil pessoas em volta do palco, maior clima lindo, estava chovendo enquanto ele cantava Chove Chuva, e a galera toda pulando na chuva sem medo. No final do show, ele tocou a música Gostosa e pediu que só mulheres subissem no palco… Umas 30, 40 mulheres subiram dançando, enquanto ele olhava para todas e cantava: “Gostosa! Gostosa! Gostosa!”. Sem querer me peguei avaliando aquilo como algo negativo, porque achei, em pleno 2018, ofensivo às garotas e também achei chato que homens não puderam subir. De alguma forma, pensei: machista! Mas na sequencia me corrigi, soube que era ele, cantando uma música que foi composta em outro contexto histórico, em outro momento de mundo, em que isso era ok, e o perdoei dentro do meu sentimento. Nesse sentido, foi legal que na sequência o Leo me chamou para participar do projeto com uma proposta de releitura de Meus Filhos, Meu Tesouro, canção que, entre outras coisas, toca nessa questão. Se na música original, lá em 1976, a “Anabela Gorda” queria ser “dona de casa atuante ou mulher de milionário”, nessa versão de 2018, eu canto que “não vou ser dona de casa atuante nem mulher de milionário” mas “vou ser bela cantante e não dar trela pra otário”. Uma feliz coincidência, que de qualquer jeito não muda o que sinto por esse grande artista, que merece todas as homenagens. Jorge, eu te amo!

MAIS
Ouça a releitura de Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim) 

Leia Carlos, Anjo (de) 02, um dos poemas de Ben Jorge Contra-Ataca O Suco de Orge e Outros Poemas, dedicado a Jorge Ben Jor e Carlos Drummond de Andrade

Carlos, Anjo (de) 02
(Leonardo Ben)

Carlos não é desse mundo
Que parece meio perdido
Sem nenhum sobressalto
De uma flor num asfalto

Carlos era sábio como Ben
Pois também falava de flores
E fazia, amiúde, dos versos também
Cavalaria anti-todas as dores

A Jorge eu sempre cortejo
Porque é igual ao santo;
A Carlos o mesmo tratamento
Pois é divino como o anjo

 

Trajetória de Vespas Mandarinas vira documentário

‘Vespas’ é o nome do novo minidocumentário que conta a trajetória de Vespas Mandarinas (Foto: Divulgação/ Maria Fernanda)

Lançamento antecipa uma série de novidades que o grupo prepara para os próximos meses

Postado em por

“VESPAS” é o nome do mini documentário produzido pelos paulistas da banda Vespas Mandarinas. Em pouco mais de dez minutos, o material, divulgado na última sexta-feira, dia 30/11, revela a trajetória de quase uma década do grupo, liderado pelo compositor e vocalista Thadeu Meneghini.

Trazendo ao público um pouco mais sobre quem são e como chegaram até aqui, “VESPAS” destaca importantes momentos da carreira. “Esse documentário vem pra mostrar que não vivemos mais no mesmo mundo em que vivíamos, mas sobrevivemos a tudo, toda e qualquer adversidade, porque nunca seguimos fórmulas pré-estabelecidas. A gente nunca acreditou nos preceitos que fazem uma banda ter que atuar como uma empresa, por exemplo, e em todas as bobagens que vieram junto com ideias cretinas desse tipo. Muito do que se acreditava, hoje já é percebido como uma grande fraude. Passamos da “hora da verdade”, e muitas das teorias, para alcançar o grande público ou o sucesso, que não serviram pra nada, já não enganam mais ninguém: nem os artistas e nem o público. Por isso, fizemos um documentário pra contar e dar continuidade na história dessa banda de verdade, que tem suas raízes e cicatrizes. Mesmo num presente cheio de dúvidas, ainda acreditamos num futuro brilhante e, principalmente, nas músicas que falam desse futuro…   A gente ainda se importa com a música e com a poesia. É isso o que importa e o que vai ficar”, ressalta Thadeu. 

Assista:

 

“Animal Nacional” (2013), primeiro disco lançado pela Deckdisc foi indicado a “Melhor Álbum de Rock” no Grammy Latino, o projeto emplacou cinco singles na rádio rock paulistana 89FM, sendo dois deles os mais pedidos do ano pelos ouvintes. Entre os sucessos, “Santa Sampa”, parceria de Thadeu com o célebre poeta e compositor Bernardo Vilhena, e “Não Sei o Que Fazer Comigo” uma versão para a canção dos uruguaios “El Cuarteto De Nos”.

Cinco anos depois, chegou “Daqui Pro Futuro” (2017) também pela Deckdisc. Desta vez, com composições de apelo pop, mas conteúdos liricamente ricos e cheios de reflexão nas letras de poetas como: Marcelo Yuka, Leoni, e Adalberto Rabelo. O disco contava ainda com uma lista enorme de participações especiais, tendo como destaque: Samuel Rosa, Edgard Scandurra, Luiz Bueno (Duofel), Tagore, PJ (JOTA QUEST), Carlos Malta e Marcos Suzano, entre outros.

Em outubro deste ano, Vespas Mandarinas apresentou um show inédito no Estúdio Showlivre. A apresentação completa, assim como todos os clipes separados, está disponível em nosso canal no YouTube. Veja: